Julio Cesar Teixeira
Ricardo dos Reis
Cassio Cardoso Filho
Francisco José Candido dos Reis
Daniela Angerame Yela Gomes
Suplentes
Ana Carolina Marchesini de Camargo
Maria Carolina Szymanski de Toledo
André Luis Ferreira Santos
José Carlos Campos Torres
Resumo
Introdução: O carcinoma endometrial apresenta ampla heterogeneidade histológica, molecular e prognóstica. Embora a classificação molecular tenha aprimorado a estratificação de risco, persiste heterogeneidade prognóstica, justificando a investigação de biomarcadores adicionais. Nesse contexto, PTEN e HER2 constituem marcadores biologicamente relevantes e passíveis de avaliação por imuno-histoquímica. Objetivos: Avaliar a expressão imuno-histoquímica de PTEN e HER2 em carcinomas endometriais e suas associações com características clinicopatológicas e desfechos oncológicos, incluindo sua relação com o status de p53. Métodos: Estudo de coorte retrospectivo incluindo 145 mulheres com carcinoma endometrial, diagnosticadas entre 2008 e 2016 e acompanhadas até 2024. Dados clínicos, anatomopatológicos e de seguimento foram obtidos do Registro Hospitalar de Câncer e dos prontuários. Amostras tumorais foram utilizadas para construção de tissue microarrays, submetidas à imuno-histoquímica e análise digital com auxílio do QuPath. A perda completa de PTEN foi definida pela ausência de marcação citoplasmática tumoral na presença de controle interno positivo. HER2 foi classificado em escores 0, 1+, 2+ e 3+, sendo agrupado em 0/1+ e 2+/3+ nas análises principais. p53 foi categorizado em wild-type (p53wt) ou anormal (p53abn). Associações foram avaliadas pelos testes do qui-quadrado ou exato de Fisher, e as análises de sobrevida pelos métodos de Kaplan-Meier, log-rank e regressão de Cox. Resultados: PTEN foi avaliável em 128 tumores, dos quais 22 (17,2%) apresentaram perda completa. A perda de PTEN associou-se a tumores de alto grau, menor resposta completa ao tratamento e maior mortalidade câncer-específica. A sobrevida câncer-específica em cinco anos foi de 49% nos tumores com perda de PTEN e 73% naqueles com expressão preservada. Após ajuste por idade e p53, a perda de PTEN permaneceu associada a pior sobrevida (HR 2,59; IC95% 1,28–5,23; p=0,008), embora o efeito tenha sido atenuado após inclusão do grau histológico. HER2 foi avaliável em 142 tumores, sendo 20 (14%) HER2 2+/3+. A expressão aumentada associou-se a alto grau, histologias serosa e de células claras e p53abn. Na coorte global, HER2 2+/3+ não permaneceu associado à sobrevida após ajuste por idade e p53 (HR 1,76; IC95% 0,87–3,58; p=0,116). Entre os tumores p53wt, a sobrevida em cinco anos foi de 79% para HER2 0/1+, 53% para HER2 2+ e 25% para HER2 3+. HER2 3+ permaneceu associado a pior sobrevida após ajuste por idade, grau histológico e estádio da doença (HR 3,84; IC95% 1,19–12,34; p=0,024). Conclusão: A perda completa de PTEN identificou um fenótipo associado a características adversas e pior sobrevida, com efeito parcialmente relacionado ao grau histológico. HER2 apresentou importante sobreposição com p53abn na coorte global, enquanto HER2 3+ identificou um pequeno subgrupo de pior prognóstico entre os tumores p53wt. Esses achados requerem validação independente antes de sua incorporação à estratificação prognóstica. Palavras-chave: carcinoma endometrial; biomarcadores tumorais; imuno-histoquímica; PTEN; Receptor HER2 de Superfície Celular Tipo Tirosina Quinase; prognóstico.