Fatores de risco cardiometabólico em adolescentes com diferentes fenótipos de obesidade - estudo Brazilian Metabolic Syndrome (BRAMS) pediátrico.
Candidato(a): Vinicius Ferreira dos Santos Orientador(a): Bruno Geloneze Neto
Apresentação de Defesa
Curso: Saúde da Criança e do Adolescente
Local: Sala de defesa da FCM
Data: 25/11/2026 - 09:00
Banca avaliadora
Titulares
Bruno Geloneze Neto
Daniel Minutti de Oliveira
Patrícia Moreira Gomes
Suplentes
Marcelo Miranda de Oliveira Lima
Renata Germano Borges de Oliveira Nascimento Freitas
Resumo
Introdução: A prevalência de obesidade na adolescência vem crescendo nas últimas décadas, o que traz graves consequências para a saúde emocional, reprodutiva e metabólica nessa e em fases futuras da vida. Recentemente, a proposta de estratificação de risco entre adolescentes com obesidade metabolicamente saudável (MHO) e obesidade metabolicamente não saudável (MUO) ganha força sob o prisma de que estudos conduzidos em outros países apontam que adolescentes com MUO apresentam alterações metabólicas mais proeminentes e risco aumentado para doenças crônicas não transmissíveis em comparação com adolescentes com MHO que, por sua vez, tem maior risco em comparação com adolescentes sem obesidade. Objetivo: Comparar parâmetros de saúde cardiometabólica e fatores de risco entre adolescentes brasileiros sem obesidade, com MHO e com MUO, buscando esclarecer as diferenças entre os fenótipos da obesidade na adolescência. Métodos: Foram utilizados dados do Estudo Brasileiro de Síndrome Metabólica (BRAMS-P), estudo multicêntrico transversal conduzido em uma amostra de conveniência com 870 adolescentes brasileiros. A obesidade foi classificada de acordo com as curvas de IMC para idade da Organização Mundial da Saúde. Os adolescentes com obesidade sem nenhuma alteração nos parâmetros metabólicos (glicemia, triglicérides, pressão arterial e HDL-c) foram classificados como MHO enquanto que os adolescentes que apresentaram pelo menos uma dessas alterações foram classificados como MUO. Foram realizadas auto avaliação da maturação sexual, aferição de pressão arterial e antropometria (peso, altura, circunferência da cintura, circunferência do quadril, circunferência do pescoço, diâmetro abdominal sagital). A composição corporal foi mensurada por bioimpedância. A partir do sangue total, foram dosadas as concentrações plasmáticas de glicose, colesterol total e frações, triglicerídeos, ácido úrico, gama-GT, hemoglobina glicada, AST, ALT e insulina. Em uma subamostra de 81 adolescentes foi realizado o teste de clamp hiperglicêmico para verificar a sensibilidade e secreção da insulina. Resultados: O grupo MUO apresentou maior idade (p<0,001) e estadiamento puberal mais avançado (p<0,001) em comparação com o MHO, motivo pelo qual as análises subsequentes foram ajustadas por esses fatores de confusão. As
concentrações plasmáticas de glicose, insulina, colesterol não HDL, gama-GT e ALT bem como o HOMA-IR foram maiores no grupo MUO quando comparados com o MHO, que, por sua vez, apresentou valores maiores em comparação ao grupo sem obesidade (p<0,05 para todos). O grupo MUO apresentou menor função de célula beta evidenciado pelo disposition index em comparação com os grupos MHO e sem obesidade, sendo que o MHO apresentou uma resposta intermediária para esse parâmetro (p-tendência=0,008). A sensibilidade à insulina, evidenciada pelo índice de sensibilidade à insulina, não diferiu entre os grupos MHO e MUO, mas foi maior no grupo sem obesidade quando comparada com os demais. Conclusão: O grupo MUO apresentou pior homeostase de glicose evidenciado por maiores valores de glicemia, insulina, HOMA-IR e redução no diposition index, além de maior concentração de colesterol não HDL, gama GT e ALT em comparação com o MHO. A presença da obesidade por si só, independente da presença de alterações metabólicas promove alterações em marcadores de saúde cardiometabólica. A estratificação de risco entre os fenótipos de obesidade parece ser interessante para priorizar adolescentes com disfunções metabólicas mais proeminentes, buscando evitar a progressão do quadro de obesidade acompanhado de doenças crônicas mais graves, como complicações cardiovasculares e diabetes mellitus do tipo 2.