RESSECÇÃO CIRÚRGICA DO TUMOR VERSUS QUIMIORADIOTERAPIA COMO TRATAMENTO DE PRIMEIRA LINHA NA SOBREVIDA DE PACIENTES COM CARCINOMA DE CÉLULAS ESCAMOSAS DE CABEÇA E PESCOÇO
Candidato(a): Laís Pereira Feres Orientador(a): Carmen Silvia Passos Lima
Carmen Silvia Passos Lima
Sérgio Vicente Serrano
Carlos Takahiro Chone
Suplentes
Juliana Carron
Ericka Francislaine Dias Costa
Resumo
Introdução: A ressecção cirúrgica do tumor (RC) e a radioterapia (RT) são utilizadas para pacientes com carcinoma de células escamosas de cabeça e pescoço (CCECP) em estágio inicial. A RC isolada ou seguida por radioterapia (RT) e/ou quimioterapia (QT) tem indicação formal para pacientes com CCECP localmente avançado. Já aqueles com tumor volumoso recebem QT de indução (QTI) seguida por QRT e os com tumor irressecável ou recusam a RC recebem quimioradioterapia definitiva (QRTD). É importante comentar que não se encontra estabelecido se o tratamento não cirúrgico é equivalente à ressecção cirúrgica do tumor (RC), como primeira linha de tratamento, em portadores de CCECP. Objetivo: Avaliar o papel da RC versus o papel do tratamento não cirúrgico, como primeira linha de tratamento, na sobrevida de pacientes com CCECP do Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas. Métodos: A escolha de RS ou tratamento não cirúrgico foi feita por decisão do médico responsável, desejo do paciente e infraestrutura hospitalar. Foram obtidas a sobrevida livre de eventos (SLE) e a sobrevida global (SG) do total de pacientes (n= 623), de pacientes pareados por aspectos clínico patológicos por score de propensão (n= 258) e de pacientes estratificados por tipo de tratamento. Resultados: Aos 60 meses de observação, a SLE (26,0% vs. 63,7%, p< 0,0001) e a SG (29,6% vs. 70,7%, p< 0,0001) foram menores em pacientes submetidos a tratamento cirúrgico do que não cirúrgico no grupo total (n= 623); os pacientes do primeiro grupo tiveram chances 1,72, 1,72, 3,11, 2,08, 2,72 vezes maiores de evoluir para o óbito por qualquer causa do que os demais em análise multivariada de Cox. A SLE (37,0% vs. 56,4%, p< 0,0001) e a SG (41,8% vs. 61,4%, p< 0,0001) foram menores em pacientes pareados por aspectos clínico-patológicos e submetidos a tratamento cirúrgico do que não cirúrgico (n= 258). Em análise multivariada de Cox, pacientes do primeiro grupo tiveram chances 1,91, 2,49, 2,94, 2,51, 2,25 e 3,31 vezes maiores de evoluir para o óbito por qualquer causa do que os demais.
Conclusões: A RC deve ser vista como tratamento padrão para pacientes com CCECP e o não cirúrgico para os que recusam a cirurgia, os com elevado risco cirúrgico ou quando a estrutura hospitalar para realizar cirurgia é deficiente.