AVALIAÇÃO DA FADIGA E SUA RELAÇÃO COM O SONO, O CORTISOL E OS FATORES PSICOSSOCIAIS NO TRABALHO DE MOTORISTA EM MINERAÇÃO
Candidato(a): Amanda Sorce Moreira Orientador(a): Sergio Roberto De Lucca
Apresentação de Defesa
Curso: Saúde Coletiva
Local: Sala Amarela
Data: 09/12/2026 - 14:00
Banca avaliadora
Titulares
Sergio Roberto De Lucca
Frida Marina Fischer
João Silvestre da Silva Júnior
Maria Lúcia do Carmo Cruz Robazzi
Priscila Maria Stolses Bergamo Francisco
Suplentes
Fernanda Moura D'Almeida Miranda
Valmir Antonio Zulian de Azevedo
Resumo
Introdução: A fadiga é uma manifestação de desgaste comum entre os trabalhadores de diversas ocupações e resulta da disfunção de neurotransmissores, causando uma sensação subjetiva de cansaço com componentes comportamentais, emocionais e cognitivos devido a uma experiência de exaustão física ou mental decorrentes ou não do trabalho. Cada profissão possui suas particularidades dentro de uma mesma organização, por isso, é fundamental compreender os fatores psicossociais e organizacionais que se relacionam com a fadiga em motoristas, a fim de implementar uma estratégia de prevenção e de diagnóstico precoce específica e condizente à realidade desses trabalhadores. Objetivo: Avaliar a prevalência da fadiga e sua associação com o sono, o cortisol, os transtornos mentais comuns e os fatores psicossociais em mineração, especialmente, em trabalhadores que desempenham a atividade de condução de veículos pesados (caminhões, trator ou máquinas agrícolas, trem, ônibus e micro-ônibus) ou equipamentos móveis. Método: Trata-se de uma revisão integrativa de literatura e de estudos epidemiológicos com delineamento transversal e abordagem quantitativa, conduzidos entre os anos de 2023 e 2025, em duas localidades de uma mineradora de alumínio, Poços de Caldas/Minas Gerais e Juruti/Pará, com uma amostra de 618 trabalhadores. Utilizou-se para a coleta dos dados um formulário biossocial e do trabalho, o Questionário de Avaliação da Fadiga de Yoshitake, a Job Stress Scale (JSS), a Escala de Sonolência de Epworth (ESS-BR), o Self Report Questionare (SRQ-20) e o teste sérico para dosagem de cortisol. Resultados: O estudo resultou em quatro artigos, sendo uma revisão integrativa de literatura e três artigos originais, um referente a população de Poços de Caldas/MG, um referente a Juruti/PA e outro apenas com a amostra de trabalhadores que desempenham a atividade de condução de veículos pesados (caminhões, trator ou máquinas agrícolas, trem, ônibus e micro-ônibus) ou equipamentos móveis. Os achados em comum entre os três artigos mostram que quase metade dos trabalhadores apresentavam alta fadiga, sendo a fadiga cognitiva (sonolência e a dificuldade de concentração) a mais predominante. A fadiga foi frequentemente associada à má qualidade do sono, às condições de descanso e à sonolência diurna. Aspectos da organização do trabalho como turnos, jornada extensas, descanso insuficiente, deslocamento prolongado, alta demanda psicológica e baixo apoio social associaram-se ao maior risco de alta fadiga. Além disso, a percepção subjetiva de insatisfação dos trabalhadores em relação aos aspectos relacionados ao trabalho apresentou as maiores magnitudes de associação. O trabalho de conduzir veículos pesados ou equipamentos móveis não aumentou as chances para a alta fadiga. A exposição ao trabalho de alto desgastes (alta demanda e baixo controle) foi a situação de trabalho com maior risco associado ao desfecho. Observou-se poucas alterações nos níveis de cortisol salivar ou sérico e este marcador biológico não apresentou associação com a fadiga. Conclusão: A análise em conjunta dos três artigos permite concluir que a fadiga no trabalho de motoristas e operadores em mineração apresenta predominantemente manifestações cognitivas, estando intimamente relacionada à má qualidade do sono, à organização do trabalho, à percepção subjetiva do ambiente laboral, com destaque para a insatisfação organizacional, altas demandas psíquicas, baixo apoio social e exposição ao trabalho de alto desgaste. A consistência dos resultados entre os diferentes cenários investigados reforça a robustez das evidências e aponta que a fadiga não deve ser compreendida como um evento isolado, mas como expressão de um modelo de organização do trabalho potencialmente adoecedor. Dessa forma, o enfrentamento da fadiga exige abordagens integradas que articulem intervenções clínicas, organizacionais e políticas, com foco na promoção da saúde, na melhoria das condições de trabalho e na prevenção de agravos e acidentes.