AVALIAÇÃO DA FREQUÊNCIA DE COMPORTAMENTOS DE RISCO EM ADOLESCENTES DE UMA ESCOLA E SUA INTERAÇÃO E RELAÇÃO COM GÊNERO, SAÚDE MENTAL E CLIMA ESCOLAR
Candidato(a): Carolina Aparecida Campos Orientador(a): Lilia Freire Rodrigues De Souza Li
Apresentação de Defesa
Curso: Saúde da Criança e do Adolescente
Local: CIPED
Data: 19/11/2026 - 09:00
Banca avaliadora
Titulares
Lilia Freire Rodrigues De Souza Li
Maria Sylvia de Souza Vitalle
Karina Diniz Oliveira
Suplentes
Amilton Dos Santos Junior
Beatriz Elizabeth Bagatin Veleda Bermudez
Resumo
Introdução: A adolescência é uma fase marcada por intensas transformações físicas, emocionais e sociais, e também por ser um período de maior vulnerabilidade ao desenvolvimento de comportamentos de risco e a problemas de saúde mental, que têm se mostrado cada vez mais prevalentes entre os jovens, especialmente em ambientes escolares. Além disso, variáveis como gênero, percepção de autoestima e relações interpessoais exercem influência direta sobre o bem-estar psíquico e comportamental dos adolescentes. Compreender essas interações é fundamental para subsidiar estratégias de intervenção e promoção da saúde mental na adolescência de forma eficiente.
Objetivo: Avaliação da frequência de comportamentos de risco em adolescentes de uma escola e sua interação e relação com gênero, saúde mental e clima escolar. Métodos: Trata-se de um estudo observacional, de delineamento transversal, realizado com estudantes de uma escola pública localizada em uma região metropolitana da região Sudeste do Brasil.
Resultados: Participaram 411 estudantes com mediana de idade de 15 anos, sendo 51,9 % do sexo masculino. A prevalência de vulnerabilidades e comportamentos de risco foi alta entre os alunos: 58% tinham sidos alvo de bullying, 49% tinham usado SPA, 26% tinham praticado cutting, 22% apresentavam escores sugestivos de sintomas depressivos graves, e 37% referiram pensamentos suicidas pelo menos alguns dias nas últimas 2 semanas. As meninas apresentaram escores significativamente piores do que os meninos em todas as escalas de percepções e comportamentos avaliados, exceto no uso de SPA, que foi semelhante ao dos meninos. A análise da rede bayesiana identificou a satisfação pessoal, a satisfação com a vida e os pensamentos suicidas como variáveis centrais na estrutura observada. A satisfação pessoal ocupou uma posição inicial, seguida pela satisfação com a vida, enquanto os pensamentos suicidas constituíram um importante eixo de ramificação, relacionando-se aos demais indicadores de vulnerabilidade e comportamentos de risco. O sexo, por sua vez, ocupou uma posição terminal na rede, não atuando como variável condicionante dos demais comportamentos. A etnia, a popularidade e a garra permaneceram como variáveis isoladas. Os alunos apresentaram níveis intermediários de percepção do clima escolar na somatória total, nível negativo nas dimensões família e infraestrutura e nível positivo na relação entre os alunos. As meninas tinham um percepção pior do que os meninos. Quem já tinha sido alvo de bullying na vida, usava SPA, tinha mais sintomas depressivos, possuía pensamentos suicidas ou praticava cutting e também apresentavam uma menor pontuação do clima escolar.
Conclusão: Os achados do estudo sugerem que a saúde mental principalmente a satisfação pessoal e com a vida apresentou uma estreita associação na rede geral de indicadores de risco em adolescentes independente do sexo, sugerindo que o bem-estar subjetivo é uma dimensão importante da vulnerabilidade nessa faixa etária e pode ser útil para a identificação precoce de grupos de maior risco. Comportamentos de risco e saúde mental influenciam negativamente o clima escolar.