Helenice Yemi Nakamura
Margareth Attianezi Bracet
Regina Yu Shon Chun
Marilane Oliveira Teixeira
Hugo Cristo Sant'Anna
Suplentes
Stella Maris Brum Lopes
Suane Felippe Soares
Lucieneida Dováo Praun
Resumo
O estudo busca a partir da construção histórica da Fonoaudiologia e da relação com as questões de gênero, compreender as representações sociais e os elementos constitutivos de sua identidade profissional a partir da representação social de graduandos e fonoaudiólogos que atuam na saúde pública. Para isso, foram realizadas duas coletas de dados: (1) aplicação de questionário a graduandos de cursos de Fonoaudiologia, cujas respostas abertas foram analisadas pelo método do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC); e (2) aplicação de questionário a profissionais da área, que evocaram três palavras para os termos “fonoaudiologia”, “cuidado” e “trabalho em saúde”, processadas e analisadas por meio do software OpenEvoc 1.1. Os resultados revelaram que, entre os graduandos, a categoria profissional é percebida de forma idealizada, associada ao cuidado, ao compromisso social e à busca por estabilidade, mas também permeada por tensões identitárias. O perfil dos participantes mostrou predominância de mulheres jovens, reafirmando a feminização da profissão. Entre as profissionais, as evocações evidenciaram a centralidade da prática clínica, a associação da Fonoaudiologia à reabilitação e às tecnologias, bem como os sentidos de acolhimento e vínculo relacionados ao cuidado. Quanto ao “trabalho em saúde” há preocupação com o trabalho de forma coletiva, comprometida e em equipe, buscando cuidado com práticas humanizadoras. Mas, destaca-se o aparecimento de termos negativos relacionados ao trabalho em saúde. Conclui-se que a identidade da Fonoaudiologia é atravessada por questões de gênero, pela divisão sexual do trabalho e pelas disputas de prestígio social e das concepções de seu objeto, demandando reflexões críticas sobre formação, práticas e reconhecimento profissional.