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Qualificações e defesas - Detalhes


ULTRASSONOGRAFIA POINT-OF-CARE MULTIORGÂNICA PARA ESTRATIFICAÇÃO PRECOCE DE INJÚRIA RENAL AGUDA EM PACIENTES EM VENTILAÇÃO MECÂNICA EM UMA UTI GERAL: UM ESTUDO CLÍNICO OBSERVACIONAL


Candidato(a): Tiago Giraldi
Orientador(a): Thiago Martins Santos

Apresentação de Defesa

Curso: Clínica Médica
Local: Sala Laranja - Prédio da CPG / FCM
Data: 18/11/2026 - 09:00
Banca avaliadora
Titulares
Thiago Martins Santos
Jose Roberto Matos Souza
Heraldo Possolo de Souza
Júlio César Garcia de Alencar
Bruno Augusto Goulart Campos
Suplentes
Renan Gianotto de Oliveira
Antonio Luis Eiras Falcao
Brenno Belazi Nery de Souza Campos

Resumo



Introdução

A injúria renal aguda (IRA) é uma complicação frequente entre pacientes submetidos à ventilação mecânica (VM) e está associada a maior morbidade e mortalidade, especialmente quando persistente por mais de 72 horas. A creatinina sérica e o débito urinário apresentam limitações para o diagnóstico precoce da IRA e de sua trajetória, o que justifica a investigação de ferramentas complementares, como a ultrassonografia à beira do leito, particularmente o Doppler arterial renal e a ultrassonografia pulmonar.

Objetivos

Este estudo avaliou a associação do renal resistive index (RRI) com IRA incidente e do lung ultrasound score (LUS) com IRA persistente, bem como sua contribuição adicional a modelos clínicos diversos.

Materiais e Métodos

Trata-se de estudo observacional prospectivo, unicêntrico, realizado em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) clínico-cirúrgica. Foram incluídos pacientes adultos submetidos a intubação orotraqueal na Unidade de Emergência, recebendo VM por no mínimo 24 e no máximo 72 horas, e sem diagnóstico de IRA, definida pelo critério de creatinina. O ultrassom foi realizado nas primeiras 24 horas após a admissão da UTI. As duas análises utilizaram coortes parcialmente sobrepostas, em razão da viabilidade técnica dos exames. Para o RRI, o desfecho foi IRA durante cinco dias; para o LUS, IRA persistente por mais de 72 horas durante oito dias, comparada à ausência de IRA ou IRA transitória. Foram utilizados regressão logística, análise da area under the receiver operating characteristic curve (AUC) e testes de desempenho incremental.

Resultados

Na análise do RRI, 28 dos 86 pacientes desenvolveram IRA. O RRI foi maior nesses pacientes (0,639 versus 0,613; p=0,058) e apresentou associação limítrofe com o desfecho (OR 1,33 por incremento de 0,05; IC95% 1,00-1,75; p=0,049), AUC 0,627. Após ajuste pelo balanço hídrico (BH) e pela relação PaO₂/FiO₂, a associação permaneceu (OR 1,41; IC95% 1,02-1,97; p=0,041), e o modelo apresentou AUC 0,797. A adição do RRI melhorou o ajuste e o escore de Brier, mas não aumentou significativamente a AUC. Na análise do LUS, 28 dos 91 pacientes desenvolveram IRA, 12 IRA persistente. O LUS foi maior nesse grupo comparado com pacientes sem IRA ou com IRA transitória (7 versus 4; p=0,018) e apresentou associação com o desfecho (OR 1,14; IC95% 1,02-1,27, p=0,020), AUC 0,712. A associação permaneceu após ajuste pela creatinina e BH (OR 1,16; IC95% 1,02-1,33, p=0,029) e creatinina e SOFA não renal (OR 1,13; IC95% 1,00-1,28, p=0,043). A inclusão do LUS melhorou o ajuste e reduziu o Brier score nos dois modelos, sem aumento significativo da AUC. Em análise exploratória com os tercis de BH, o LUS permaneceu associado à IRA persistente. O LUS também esteve associado à mortalidade intra-hospitalar (OR 1,12; IC95% 1,02-1,23; p=0,020).

Conclusões

O RRI apresentou associação modesta com IRA incidente, enquanto o LUS esteve associado à IRA persistente e mortalidade intra-hospitalar. Esses parâmetros podem oferecer informação complementar quando integrados a variáveis clínicas, mas seu desempenho isolado e ganho discriminatório foram limitados. Os achados são exploratórios, não estabelecem causalidade nem validam pontos de corte ou estratégias terapêuticas, e requerem confirmação em estudos maiores e multicêntricos.

Faculdade de Ciências Médicas
Universidade Estadual de Campinas

Correspondência:
Rua Vital Brasil, 80, Cidade Universitária, Campinas-SP, CEP: 13.083-888 – Campinas, SP, Brasil
Acesso:
R. Albert Sabin, s/ nº. Cidade Universitária "Zeferino Vaz" CEP: 13083-894. Campinas, SP, Brasil.
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