ECOGENICIDADE DO TROMBO E GRAVIDADE DA SÍNDROME PÓS-TROMBÓTICA APÓS TROMBOSE VENOSA PROFUNDA: PERSPECTIVAS A PARTIR DA AVALIAÇÃO DA TROMBOSE VENOSA RESIDUAL
Candidato(a): Arlindo Nascimento de Lemos Junior Orientador(a): Joyce Maria Annichino Bizzacchi
Apresentação de Defesa
Curso: Fisiopatologia Médica
Local: SALA DE MIDIA - HEMOCENTRO
Data: 21/10/2026 - 08:00
Banca avaliadora
Titulares
Joyce Maria Annichino Bizzacchi
Adilson Ferraz Paschôa
Antonio Eduardo Zerati
Marcone Lima Sobreira
Fabio Husemann Menezes
Suplentes
Carla Aparecida Faccio Bosnardo
Erich Vinicius De Paula
Gustavo Pereira Fraga
Resumo
Objetivo: Avaliar a associação entre a ecogenicidade do trombo em pacientes com trombose venosa residual (TVR), mensurada pelo gray-scale median (GSM) na ultrassonografia duplex (USD), e a gravidade da síndrome pós-trombótica (SPT) em pacientes com história de trombose venosa profunda (TVP) de membros inferiores, bem como explorar sua relação com recorrência de tromboembolismo venoso (TEVR), incluindo a influência do tempo desde o evento inicial.
Métodos: Estudo observacional unicêntrico incluindo 249 pacientes adultos com histórico de TVP de membros inferiores confirmada objetivamente. O desenho integrou caracterização retrospectiva do evento inicial, avaliação transversal clínica e por USD (2018–2020), e seguimento prospectivo para TEVR até 2024. A TVR foi definida por critérios de compressibilidade ultrassonográfica. O GSM foi quantificado a partir de imagens de ultrassom utilizando um método baseado em software dedicado e um método mais acessível baseado no Adobe Photoshop. A SPT foi avaliada pela escala de Villalta e categorizada por gravidade. As associações entre parâmetros de imagem (GSM e TVR) e desfechos (SPT e TEVR) foram analisadas na coorte total e em intervalos de tempo pré- definidos entre TVP e ultrassom (≤24 meses, 25–72 meses, >72 meses). O desempenho discriminatório foi avaliado por análise de curvas ROC.
Resultados: A SPT esteve presente em 67,9% dos pacientes, e TEVR ocorreu em 25,3% durante o seguimento. A TVR foi identificada em 57,8% da coorte e apresentou tendência não significativa a maior recorrência (29,9% vs. 19,0%; p=0,053), sem associação com a gravidade da SPT. Valores mais baixos de GSM medidos pelo método baseado em software associaram-se significativamente a maior gravidade da SPT (por exemplo, mediana 32,0 vs. 39,0 para SPT moderada/grave vs. ausente/leve; p=0,005), enquanto o método baseado em Photoshop não demonstrou associação significativa. Essa relação pareceu mais forte em pacientes avaliados em até 24 meses (AUC 0,833, IC 95%: 0,509–1,000), embora as estimativas fossem imprecisas devido ao pequeno tamanho da amostra. Não houve associação significativa entre GSM e TEVR, independentemente do método ou da estratificação temporal. O desempenho discriminatório foi modesto, com acurácia moderada para SPT moderada/grave (AUC 0,644; IC 95%: 0,546–0,736) e consistentemente baixo para predição de TEVR (AUC 0,552; IC 95%: 0,447–0,663).
Conclusões: O GSM apresenta associação modesta e dependente do tempo com a gravidade da SPT, particularmente no período inicial após a TVP, mas não prediz TEVR. Esses parâmetros derivados de imagem provavelmente refletem aspectos do remodelamento venoso pós-trombótico, porém apresentam utilidade limitada para estratificação de risco individual. Seu papel permanece exploratório, sendo necessários estudos prospectivos com padronização metodológica e abordagens analíticas avançadas para definir sua utilidade em modelos integrados de avaliação de risco.