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Qualificações e defesas - Detalhes


CARACTERIZAÇÃO FILOGENÉTICA DOS VÍRUS ZIKA E DENGUE EM AMOSTRAS DO INTERIOR DE MATO GROSSO DURANTE A INTRODUÇÃO DO VÍRUS ZIKA NO BRASIL


Candidato(a): José Henrique Francisco Roma
Orientador(a): Mariangela Ribeiro Resende

Apresentação de Defesa

Curso: Clínica Médica
Local: On-line
Data: 30/10/2026 - 09:00
Banca avaliadora
Titulares
Mariangela Ribeiro Resende
Lisie Souza Castro
Francisco Hideo Aoki
Alessandra Abel Borges
Plinio Trabasso
Suplentes
Elisa Donalísio Teixeira Mendes
Antônio Camargo Martins
Ludiele Souza Castro

Resumo



Os arbovírus representam um importante problema de saúde pública mundial, especialmente em países endêmicos para o vírus dengue (DENV), onde a cocirculação dos vírus Zika (ZIKV) e Chikungunya (CHIKV) dificulta o diagnóstico diferencial, a vigilância epidemiológica e a notificação adequada dos casos. Além disso, a evolução genômica e a introdução de novos arbovírus favorecem o surgimento de mutações, aumentando transmissibilidade, virulência e risco de epidemias. O estudo descreveu o perfil epidemiológico, laboratorial e molecular das arboviroses de casos suspeitos notificados no sudeste de Mato Grosso durante a emergência do ZIKV no Brasil, além de avaliar o desempenho diagnóstico da nested-RT-PCR e caracterizar a circulação e diversidade genética dos vírus ZIKV e DENV. As características clínico-epidemiológicas, moleculares e filogenéticas foram avaliadas em um estudo retrospectivo com amostras de pacientes com síndrome febril aguda notificadas entre 2015 e 2016, caracterizando a circulação e diversidade genética. Foram realizados ensaios de RT-qPCR e nested-RT-PCR para avaliação diagnóstica e análises filogenéticas para investigação dos padrões evolutivos e das linhagens virais circulantes em um cenário de cocirculação de arbovírus. Foi observada predominância do sexo feminino (63%). A média de idade foi de 32 anos, com maior frequência entre 19 e 59 anos (44,7%) e 28,4% autodeclarados brancos. Apenas 4 participantes residiam na zona rural, sendo 3 indígenas. As manifestações clínicas mais frequentes incluíram sintomas musculoesqueléticos (22,8%), febre (13,7%) e exantema (12,6%). As análises moleculares resultaram em 16 e seis amostras positivas para ZIKV e DENV, respectivamente. O ensaio nested-RT-PCR demonstrou concordância moderada (kappa = 0,49) para DENV, com VPP e VPN de 40,00% e 99,42%, respectivamente. A detecção de ZIKV apresentou concordância regular (kappa=0,29), com VPP e VPN de 100% e 92,61%, respectivamente (p < 0,05). As taxas de acurácia diagnóstica foram de 97,76% para DENV e 92,74% para ZIKV. A sensibilidade e especificidade para DENV foram de 66,66% e 98,29%, respectivamente, enquanto a detecção de ZIKV apresentou sensibilidade de 18,75% e especificidade de 100%. As análises filogenéticas revelaram que os isolados de ZIKV pertenciam à linhagem Asiática/Americana e os de DENV-2 à linhagem brasileira BR04 do genótipo Asiático/Americano. Além disso, foram identificadas uma (R3062F) e cinco (S2716T, Y2738H, I2758T, I2762V e I2767V) mutações não sinônimas na proteína NS5 de ZIKV e DENV, respectivamente. Este estudo forneceu caracterização dos aspectos clínicos, epidemiológicos e laboratoriais relacionados à emergência do ZIKV em um cenário de endemicidade para DENV, contribuindo para a compreensão da introdução e da cocirculação de um novo arbovírus em regiões previamente afetadas por outras arboviroses. Os resultados demonstraram que a RT-qPCR permanece como o método laboratorial mais confiável para o diagnóstico de casos suspeitos de febre do dengue e febre do zika, oferecendo maior sensibilidade, precisão e rapidez na confirmação diagnóstica, essenciais para o manejo clínico adequado dos pacientes e para a vigilância epidemiológica, apesar da elevada acurácia analítica global observada para a nested-RT-PCR. Além disso, os achados reforçam a relevância da vigilância molecular e epidemiológica contínua, especialmente em regiões caracterizadas pela cocirculação viral e elevado risco epidêmico, uma vez que o monitoramento sistemático da diversidade genética e da evolução dos arbovírus é fundamental para compreender possíveis alterações na dinâmica de transmissão, emergência de variantes virais e potenciais impactos sobre futuros surtos e epidemias.

Faculdade de Ciências Médicas
Universidade Estadual de Campinas

Correspondência:
Rua Vital Brasil, 80, Cidade Universitária, Campinas-SP, CEP: 13.083-888 – Campinas, SP, Brasil
Acesso:
R. Albert Sabin, s/ nº. Cidade Universitária "Zeferino Vaz" CEP: 13083-894. Campinas, SP, Brasil.
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