A terapia de reperfusão representou uma mudança de paradigma no tratamento do infarto agudo do miocárdio (IAM), reduzindo pela metade a sua mortalidade. Entretanto, independentemente da estratégia de reperfusão adotada, o tempo para o início da terapia tem relação direta com os desfechos clínicos. Infelizmente, por motivos diversos que variam de país para país e, dentro desses, de região para região, muitos pacientes acabam por receber o tratamento tardiamente, trazendo custos para o indivíduo, para a família e para a sociedade. Neste contexto, este estudo aborda o impacto na mortalidade, no custo hospitalar e na perda de produtividade decorrente do atraso na terapia de reperfusão em uma coorte nacional. Para isso, foram avaliados as taxas de mortalidade e os gastos totais incorridos pelo retardo da terapia de reperfusão de 2.622 indivíduos com IAM. Os custos com assistência hospitalar e perda de produtividade devido à morte prematura ou incapacitação foram estimados pela perspectiva do Sistema Único de Saúde (SUS) indexados em dólares internacionais, ajustados pelo poder de compra. Os resultados indicam que cada hora adicional de atraso na terapia de reperfusão está associada a um aumento de 6,2% (95% CI: 0,3 – 11,8%, p = 0,032) na mortalidade intra-hospitalar. As despesas gerais foram 45% maiores entre indivíduos que receberam o tratamento após 9 horas em comparação a aqueles que receberam o tratamento dentro das primeiras 3 horas, alavancadas principalmente pelos custos intra- hospitalares (p = 0,005). O modelo de regressão linear multivariada indicou que cada 3 horas de atraso na reperfusão significam um incremento de US$497 ± 286 (p = 0,003) no custo intra- hospitalar. Os resultados do estudo oferecem evidências adicionais que enfatizam o papel crucial da terapia de reperfusão imediata no salvamento de vidas e na preservação dos recursos públicos de saúde. Estes resultados sublinham a necessidade urgente de implementação de uma rede de gerenciamento dos casos de IAM.