AMBIENTE ALIMENTAR ESCOLAR: AVALIAÇÃO DA OFERTA DE ALIMENTOS COMPETIDORES COM A ALIMENTAÇÃO OFERECIDA PELO PROGRAMA NACIONAL DE ALIMENTAÇÃO ESCOLAR EM ESCOLAS MUNICIPAIS BRASILEIRAS
Candidato(a): Thaís de Oliveira Orientador(a): Ana Clara Da Fonseca Leitao Duran
Ana Clara Da Fonseca Leitao Duran
Carlos Roberto Silveira Correa
Elizabeth Catherina Swart
Camila Aparecida Borges
Larissa Galastri Baraldi
Suplentes
Paulo César Pereira de Castro Junior
Priscila Maria Stolses Bergamo Francisco
Lais Vargas Botelho
Resumo
Introdução: O aumento da obesidade infantil associa-se ao consumo de alimentos ultraprocessados e ao sedentarismo. A escola é um ambiente estratégico para a promoção da alimentação saudável. Embora o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) seja referência mundial, desafios como a comercialização de alimentos, infraestrutura inadequada e insuficiência de pessoal podem comprometer sua efetividade. Objetivos: 1) Desenvolver e validar um instrumento para avaliar o ambiente alimentar escolar brasileiro, com foco na disponibilidade e comercialização de alimentos competidores às refeições da alimentação escolar; e 2) Avaliar a presença desses alimentos em escolas públicas municipais de Ensino Fundamental I, analisando sua comercialização e possível influência na adesão às refeições ofertadas pelo PNAE. Materiais e Métodos: Estudo transversal conduzido em 230 escolas e 3449 escolares de 8 a 10 anos. O instrumento desenvolvido foi avaliado por especialistas e foi calculado o Índice de validade de conteúdo (IVC) para cada item (satisfatório>0,80). A confiabilidade foi avaliada em uma amostra de escolas por meio do teste interobservador / intraobservador e análise da concordância, utilizando-se coeficientes percentuais e o índice kappa. Considerou-se como variável dependente o consumo da alimentação escolar ≥ 3x/semana. Utilizou-se Modelo de Regressão Logística para estimar o efeito das covariáveis na adesão, sendo a exposição o comércio de alimentos/bebidas. O comércio de alimentos foi avaliado segundo 04 categorias de venda; sendo os alimentos classificados em Alimentos ultraprocessados e preparações culinárias baseadas nestes alimentos (AAUP) e Alimentos in natura, minimamente processados ou processados e preparações culinárias baseadas nestes alimentos (AIMPP), avaliados segundo 07 Indicadores de saudabilidade. Resultados: Dez especialistas participaram do processo de validação de conteúdo. O IVC global do instrumento foi de 0,912, e a confiabilidade apresentou concordância muito boa para 95,45% dos itens, com valores de kappa > 0,80. 45.57% aderiam ao PNAE ≥ 3x/semana. O comércio de alimentos nas escolas não impactou na adesão, embora tenha impactado as chances de adesão. Após ajuste, a chance de adesão ao PNAE mostrou-se maior entre os alunos de escolas com cozinha (OR=1.41; IC95% 0.97-2.04) e em período integral (OR=1.99; IC95% 1.57-2.52). Os escolares com hábito de levar lanche para a escola apresentaram chances 69% menores de aderir ao PNAE, existindo grandes diferenças regionais. O comércio de alimentos foi observado em 6,47% das escolas, predominantemente nas regiões Norte e Centro-Oeste. A razão entre AAUP e AIMPP foi de 1,7. Conclusão: O questionário apresentou adequadas propriedades psicométricas para avaliação do ambiente alimentar escolar. Embora a comercialização de alimentos tenha sido observada em poucas escolas, quando presente predominavam alimentos ultraprocessados, evidenciando a necessidade de políticas e ações voltadas à promoção de hábitos alimentares saudáveis no ambiente escolar.