Monica Barbosa De Melo
Mara Sanches Guaragna
Carolina Pelegrini Barbosa Gracitelli
Suplentes
Helena Fabbri Scallet
Flavio Mac Cord Medina
Resumo
Introdução: O Glaucoma Primário de Ângulo Aberto (GPAA), é a forma mais comum de glaucoma, sendo a principal causa de cegueira irreversível em escala global. Sua fisiopatologia é complexa e multifatorial, envolvendo fatores oculares, ambientais, genéticos e sistêmicos. Estudos recentes destacam a relevância de variantes genéticas específicas na modulação da suscetibilidade à afecção, bem como no potencial efeito protetor em determinados contextos populacionais. Diante desse cenário, a investigação da arquitetura genética do GPAA em populações miscigenadas, como a brasileira, é fundamental para o avanço no diagnóstico precoce, para o entendimento da fisiopatologia e para a identificação de potenciais novos alvos terapêuticos. Objetivo: O presente estudo avaliou a contribuição das variantes rs3829849 no gene LMX1B e rs2790053 no gene TMCO1, previamente associados ao GPAA em análise multiétnica, em uma amostra representativa da população brasileira incorporando dados genéticos e clínicos. Métodos: Trata-se do primeiro estudo caso-controle, do tipo transversal que investiga essas variantes em quatro regiões do Brasil, envolvendo uma coorte de 3.141 participantes para a coorte da variante rs3829849 e 3.178 participantes para a coorte avaliando a variante rs2790053. O grupo controle consistiu em participantes sem histórico familiar para glaucoma ou cegueira. A genotipagem de ambas as variantes foi realizada por meio de ensaios Taqman, validados por sequenciamento direto. Os dados obtidos foram comparados com a presença ou ausência da afecção, considerando associações estatisticamente significativas para valores de p < 0.025. Resultados: Os resultados apontam uma possível relação entre o genótipo TT homozigoto da variante rs3829849 e o GPAA (p = 0.01; OR = 0.68; IC 97.5% = 0.50- 0.93), sugerindo um papel na proteção contra a doença. Para a variante rs2790053, observou-se um padrão de risco na presença do genótipo GC em participantes acometidos pelo GPAA (p = 4.4x10-9; OR = 1.63; IC 97.5% = 1.39 - 1.93). A análise da coorte combinada corroborou os achados da coorte independente, confirmando o papel protetor do genótipo TT na variante rs3829849 (LMX1B) e o efeito de suscetibilidade associado à variante rs2790053 (TMCO1), evidenciando a consistência e reprodutibilidade das associações identificadas. Esta investigação representa a primeira análise dessas variantes no contexto do GPAA em uma coorte brasileira, reforçando a relevância de novos estudos genéticos em populações miscigenadas. Conclusão: Os achados contribuem para ampliar a compreensão da arquitetura genética do glaucoma e oferecem embasamento para futuras aplicações estratégicas diagnósticas e terapêuticas personalizadas.