Monica Corso Pereira
Paulo de Tarso Roth Dalcin
Lígia dos Santos Roceto Ratti
Aline Maria Heidemann Santos
Adyleia Aparecida Dalbo Contrera Toro
Suplentes
Andrea de Cassia Vernier Antunes Cetlin
Paula Maria Eidt Rovedder
Bruna Scharlack Vian
Resumo
Introdução: A infecção brônquica crônica (IBC) por Pseudomonas aeruginosa está associada a pior prognóstico, maior frequência de exacerbações, declínio funcional e aumento da mortalidade. Entretanto, a cultura microbiológica, considerada padrão-ouro para identificação da IBC, apresenta limitações relacionadas à variabilidade da sensibilidade e ao isolamento intermitente do patógeno.
Objetivo: Determinar os níveis séricos de IgG anti-P. aeruginosa em pacientes com bronquiectasias não fibrocísticas (BNFC) e comparar indivíduos com e sem infecção brônquica crônica por P. aeruginosa, avaliando a utilidade diagnóstica da sorologia em relação à cultura de escarro.
Método: Estudo transversal observacional com 70 pacientes adultos com diagnóstico de BNFC. Os participantes foram submetidos à avaliação clínica, espirometria, TC6min, TCAR, questionários de qualidade de vida, análise microbiológica do escarro e dosagem sérica de IgG anti-P. aeruginosa por ELISA. A IBC foi definida pela presença de pelo menos duas culturas positivas para P. aeruginosa em até 12 meses. Foram realizadas análises comparativas entre os grupos e avaliação da acurácia diagnóstica da sorologia.
Resultados: Dos 70 pacientes avaliados, 61,4% eram mulheres, com idade média de 53,1 ± 14,7 anos. A IBC por P. aeruginosa foi identificada em 28 pacientes (43,8%). Os indivíduos com IBC apresentaram níveis séricos de IgG anti-P. aeruginosa mais elevados, pior função pulmonar, pior qualidade de vida avaliada pelo BHQ, maior gravidade clínica pelo escore FACED e maior comprometimento estrutural pulmonar, incluindo maior número de lobos acometidos, maior escore BRICS, maior frequência de bronquiectasias císticas e impactação mucoide. Pacientes com níveis séricos de IgG ≥ 28,2 U/mL também apresentaram maior frequência de culturas positivas para P. aeruginosa, pior função pulmonar e alterações tomográficas mais extensas.
Conclusão: A IBC por P. aeruginosa esteve associada a maior gravidade clínica, funcional e radiológica em pacientes com BNFC. Os níveis séricos de IgG anti-P. aeruginosa foram significativamente mais elevados nos pacientes com IBC e se associaram a marcadores de pior prognóstico, sugerindo que a sorologia pode representar uma ferramenta complementar útil para identificação de infecção persistente por P. aeruginosa.