Síndrome do Risco Cognitivo Motor em Adultos e Idosos Comunitários: Prevalência e Fatores Associados – Dados do ELSI BRASIL.
Candidato(a): Vanessa Alonso Orientador(a): Meire Cachioni
Apresentação de Defesa
Curso: Gerontologia
Local: Anfiteatro do prédio da pós-graduação
Data: 30/09/2026 - 13:30
Banca avaliadora
Titulares
Meire Cachioni
Isadora Cristina Ribeiro
Francisco Luciano Pontes Junior
Maria Jose D Elboux
Juliana Martins Pinto
Suplentes
José Eduardo Pompeu
Samila Sathler Tavares Batistoni
Paula Costa Castro
Lucia Figueiredo Mourao
Resumo
O envelhecimento populacional tem sido acompanhado por um aumento expressivo da prevalência de doenças crônicas, comprometimento cognitivo e demência, reforçando a necessidade de identificar condições pré-demenciais potencialmente modificáveis. A Síndrome do Risco Cognitivo Motor (SRCM), caracterizada pela coexistência de queixa cognitiva subjetiva e lentidão da marcha na ausência de demência, constitui um importante marcador de vulnerabilidade cognitivo-motora e de risco para desfechos adversos relacionados ao envelhecimento. Apesar do crescente interesse pela síndrome, permanecem lacunas quanto aos fatores biopsicossociais envolvidos em sua ocorrência, especialmente em países de baixa e média renda. Esta tese teve como objetivo investigar a SRCM em adultos e idosos brasileiros comunitários por meio da integração de evidências científicas e análises de base populacional. Trata-se de uma tese em formato alternativo composta por três estudos complementares. O primeiro consistiu em uma revisão de escopo conduzida conforme as recomendações do Joanna Briggs Institute (JBI) e do PRISMA-ScR, visando identificar e sintetizar os fatores biopsicossociais associados à SRCM em idosos residentes na comunidade. O segundo correspondeu a um estudo transversal com dados da linha de base do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), destinado a estimar a prevalência da SRCM em adultos a partir de 50 anos e investigar sua associação com fatores sociodemográficos e condições de saúde. O terceiro estudo utilizou a mesma base de dados para analisar as relações diretas e indiretas entre multimorbidade, sintomas depressivos, isolamento social, satisfação com a vida e SRCM em adultos acima de 50 anos por meio de Modelos de Equações Estruturais Generalizadas (GSEM). A revisão de escopo incluiu 76 estudos e evidenciou que doenças cardiovasculares, comprometimento cognitivo, fragilidade e sintomas depressivos foram os fatores mais frequentemente associados à SRCM, enquanto fatores psicossociais e sociodemográficos permaneceram pouco explorados. No estudo epidemiológico, se observou 29,9% de prevalência da SRCM na população brasileira e associação significativa com sexo feminino, idade avançada, raça/cor preta e parda, menor escolaridade, multimorbidade e piores condições de saúde. A análise de caminhos demonstrou que a multimorbidade exerceu efeito direto sobre a SRCM e efeito indireto mediado principalmente pelos sintomas depressivos, potencializado pelo isolamento social e pela redução da satisfação com a vida. Os achados sustentam um modelo biopsicossocial da SRCM, demonstrando que fatores clínicos, psicológicos e sociais interagem na determinação da vulnerabilidade cognitivo-motora. Conclui-se que a identificação precoce da SRCM e de seus mecanismos associados pode subsidiar estratégias multidimensionais voltadas ao manejo da multimorbidade, à prevenção da depressão, ao fortalecimento das redes de apoio social e à promoção do bem-estar subjetivo, contribuindo para retardar o declínio cognitivo e favorecer o envelhecimento saudável.