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Qualificações e defesas - Detalhes


PREVENÇÃO DA PREMATURIDADE: AVALIAÇÃO DAS ESTRATÉGIAS INSTITUCIONAIS E DOS RESULTADOS PERINATAIS DA CERCLAGEM CERVICAL NAS MATERNIDADES BRASILEIRAS.


Candidato(a): Isabella Carinhani Bragheto
Orientador(a): Renato Teixeira Souza

Apresentação de Defesa

Curso: Tocoginecologia
Local: Anfiteatro da Comissão de Pós-graduação da FCM
Data: 31/08/2026 - 14:00
Banca avaliadora
Titulares
Renato Teixeira Souza
Ricardo Porto Tedesco
Helaine Maria Bestetti Pires M. Milanez
Suplentes
Adriana Gomes Luz
Rodrigo Pauperio Soares de Camargo

Resumo



Introdução: A prematuridade permanece como uma das principais causas de mortalidade neonatal e morbidade à curto e longo prazo, tornando-se um desafio relevante no cuidado obstétrico na atualidade. Sua prevenção baseia-se tanto na implementação de estratégias de rastreamento quanto no uso de intervenções individualizadas nas gestantes consideradas de maior risco. Essa dissertação objetivou avaliar a instituição das estratégias de prevenção em diferentes níveis da assistência obstétrica, incluindo dois estudos. Metodologia: O primeiro estudo foi uma coorte retrospectiva, multicêntrica e analisou os resultados obstétricos e perinatais da cerclagem cervical eletiva e de resgate, entre dezembro de 2003 até novembro de 2025. Foram incluídas 1493 mulheres com gestação única, sendo 986 (72,3%) submetidas a cerclagem eletiva e 378 (27,7%) à cerclagem de resgate. A pesquisa analisou variáveis maternas, obstétricas e desfechos perinatais, incluindo idade gestacional do parto, intervalo entre procedimento e parto, complicações precoces e tardias associadas à intervenção e o uso adjuvante da progesterona micronizada. O segundo foi um estudo de corte transversal em modelo de inquérito conduzido em 55 maternidades brasileiras, por meio de questionário digital, entre maio de 2025 e abril de 2025. Foram avaliadas a presença ou não de estratégias para prevenção de prematuridade, assim como a instituição de intervenções preventivas em grupos de alto risco e seu período de início, como o rastreio ultrassonográfico do colo uterino, uso de progesterona micronizada e pessário cervical. Resultados: Na coorte retrospectiva, a cerclagem eletiva mostrou menores taxas de prematuridade em relação a de resgate (35,7% vs. 47,6%; p<0,001) e maior intervalo entre cerclagem e parto nas pacientes com dilatação <2 centímetros (21,26 ± 4,8 vs. 14,71 ± 4,9 semanas). As complicações precoces foram raras e as tardias ocorrem de forma mais frequente nas de resgate (22,5% vs. 28,6%; p=0,019). O uso da progesterona associou-se à melhores desfechos perinatais nas mulheres submetidas a cerclagem de resgate. O estudo de inquérito mostrou que 20% das instituições não dispunham de estratégias para prevenção da prematuridade, e as maternidades que possuíam, 52,4% não realizavam medida do comprimento do colo uterino e 47,7% não consideravam antecedente de parto prematuro espontâneo como fator de risco. Menos de 60% das instituições realizavam avaliação ultrassonográfica do comprimento do colo uterino em grupos de alto risco. A progesterona micronizada foi a intervenção mais adotada (61,8-92%), geralmente orientada pela medida do comprimento do colo, naquelas que realizavam esse rastreio (53,1-79,4%). O uso do pessário foi limitado (21,8%-52%), predominantemente associado a casos de colo curto. O momento do início do rastreamento ultrassonográfico e do uso da progesterona apresentou grande heterogeneidade entre as instituições. Conclusão: Os achados dos estudos conjuntamente demonstram discrepâncias relevantes entre evidência científica e prática clínica, no uso de estratégias de reconhecimento de risco e prevenção à prematuridade. Além disso, demonstram que a cerclagem é recurso efetivo na prevenção da prematuridade, sobretudo nos casos com intervenção oportuna, realizada precocemente em mulheres com dilatação <2 centímetros. O uso da progesterona vaginal em mulheres submetidas a cerclagem de resgate parece trazer benefício nos desfechos perinatais.

Faculdade de Ciências Médicas
Universidade Estadual de Campinas

Correspondência:
Rua Vital Brasil, 80, Cidade Universitária, Campinas-SP, CEP: 13.083-888 – Campinas, SP, Brasil
Acesso:
R. Albert Sabin, s/ nº. Cidade Universitária "Zeferino Vaz" CEP: 13083-894. Campinas, SP, Brasil.
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