Simone Botelho Pereira
Roberto Zambelli de Almeida Pinto
Túlio Vinícius de Oliveira Campos
Resumo
Introdução: A dor pós-operatória é um dos principais desafios no manejo clínico, podendo comprometer a recuperação funcional, aumentar o tempo de internação e reduzir a qualidade de vida do paciente. Em cirurgias ortopédicas, especialmente as de pé e tornozelo, a incidência de dor é ainda maior, exigindo abordagens analgésicas eficazes e multimodais. Nesse contexto, a estimulação magnética periférica repetitiva (EMPr, do inglês rPMS) vem sendo considerada uma modalidade inovadora e não invasiva no controle da dor. Objetivo: Investigar os efeitos do tratamento com EMPr no controle da dor após cirurgias no pé e tornozelo. Classificar a dor no pós-operatório de cirurgias do pé e tornozelo através do escore Douleur Neuropathique 4 (DN4) e correlacionar com as diferentes áreas anatômicas do pé e tornozelo; verificar se a EMPr altera a percepção analgésica na Escala Visual Analógica (EVA), no Inventário Breve de Dor(IBD) e na escala da American Orthopedic Foot And Ankle society Score (AOFAS). Métodos: Ensaio clínico controlado e randomizado realizado na Santa Casa de Alfenas e Clínica Escola de Fisioterapia da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL). Um total de 67 pacientes pós-operados de cirurgias de pé e tornozelo foram randomizados em 2 grupos: grupo controle (GC), que recebeu estimulação placebo e grupo experimental (GE), que recebeu EMPr aplicada por 10 minutos com protocolo de estimulação intermitente, composto por 10 ciclos de 5 segundos a uma frequência de 100 Hz, seguida de 55 segundos de descanso, com mínimo de intensidade de 20% até a intensidade máxima. A estimulação foi recebida por 5 dias seguidos no pós-operatório imediato. Os escores EVA, IBD e AOFAS foram aplicados nos dias D0, D5, D14, D30 e D90. Para análise estatística dos dados foram utilizados os Testes de Kruskal-Wallis, Teste de Mann-Whitney, Teste de Friedman, Teste de Wilcoxon, Correlação de Spearman, Intervalo de Confiança para a Média e p-valor. Resultados: Foram avaliados 67 pacientes. O grupo que recebeu EMPr apresentou melhora significativa nos escores de EVA, IBD e AOFAS, além de predominância de dor nociceptiva no DN4. Comparado ao grupo controle, observou-se redução na intensidade dolorosa, e menor consumo de opioides no pós-operatório. Conclusão: AEMPr contribui para o controle e redução da percepção da dor no pós-operatório de cirurgias do pé e tornozelo. Embora haja muitos estudos voltados para otimizar o manejo da dor pós-operatória nas cirurgias do pé e tornozelo, a EMPr pode ser considerada, dentro do conceito de analgesia multimodal, uma alternativa eficaz, indolor, não invasiva, mas ainda com escassez de evidências e recomendações sobre os parâmetros de aplicação.