Curso: Saúde Coletiva: Políticas e Gestão em Saúde
Local: Legolândia
Data: 27/08/2026 - 09:00
Banca avaliadora
Titulares
Danielle Satie Kassada
Aldiane Gomes de Macedo Bacurau
Paula Cristina Pereira Da Costa
Suplentes
Dalvani Marques
Priscila Maria Stolses Bergamo Francisco
Resumo
A COVID-19 pode produzir formas graves, hospitalizações e óbitos em crianças e adolescentes, especialmente entre os menores de cinco anos e aqueles com condições clínicas preexistentes. Este estudo teve como objetivo descrever os perfis sociodemográfico, clínico e vacinal dos registros de hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associada à COVID-19 em indivíduos de seis (6) meses a dezenove (19) anos, ocorridas em hospitais públicos e privados localizados no município de Campinas, entre 2020 e 2025, e analisar fatores associados à admissão em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e à utilização de suporte ventilatório. Trata-se de estudo quantitativo, descritivo e transversal, realizado com dados secundários do Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP-Gripe) disponibilizados pelo OpenDataSUS. Foram realizadas análises descritivas, teste do qui-quadrado e regressão de Poisson com variância robusta, com estimativa das razões de prevalência e respectivos intervalos de confiança de 95%. Foram analisados 965 registros. Houve predomínio do sexo masculino (54,40%) e da faixa etária de 6 meses a 4 anos (58,24%). Fatores de risco ou comorbidades foram registrados em 44,56% das hospitalizações. A admissão em UTI ocorreu em 29,86% dos registros com informação disponível, e 79,43% utilizaram suporte ventilatório, sendo 10,18% invasivo e 69,25% não invasivo. A evolução para cura foi registrada em 97,19% dos casos, e ocorreram 24 óbitos por COVID-19 (2,49%), concentrados principalmente entre 2020 e 2022. A presença de fatores de risco ou comorbidades permaneceu associada à admissão em UTI (RP=1,32; IC95%: 1,08–1,62) e à utilização de suporte ventilatório (RP=1,15; IC95%: 1,07–1,23). O sexo não apresentou associação com esses desfechos. O status vacinal foi identificado por meio de data válida de dose anterior ou igual à hospitalização em 165 registros. Entre eles, predominou o registro de duas doses, e a mediana do intervalo entre a última dose registrada e a hospitalização foi de 8,71 meses. As informações do status vacinal corresponderam exclusivamente aos registros disponíveis no SIVEP-Gripe e não permitiram estimar cobertura ou efetividade vacinal. Conclui-se que a SRAG associada à COVID-19 produziu repercussões clínicas e assistenciais relevantes na população estudada, com maior necessidade de cuidados intensivos entre os indivíduos com condições clínicas preexistentes. Os achados reforçam a importância da vacinação conforme as recomendações vigentes, da atenção aos grupos mais vulneráveis e da qualificação do preenchimento dos sistemas de informação. Os resultados subsidiarão a elaboração de um boletim epidemiológico destinado à vigilância em saúde e aos serviços notificadores.