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Qualificações e defesas - Detalhes


As representações sociais de surdos sobre a aprendizagem do português na modalidade escrita


Candidato(a): Carlos Erik Ananias
Orientador(a): Ivani Rodrigues Silva

Apresentação de Defesa

Curso: Saúde, Interdisciplinaridade e Reabilitação
Local: Sala Amarela - Pós Graduação FCM
Data: 27/08/2026 - 09:00
Banca avaliadora
Titulares
Ivani Rodrigues Silva
Lucia Helena Reily
Wilma Favorito
Suplentes
Janice Goncalves Temoteo Marques
Kate Mamhy Oliveira Kumada

Resumo



A educação e todos os fenômenos referentes à linguagem (e não apenas à língua)

dos surdos foram e continuam sendo um eixo central nas mobilizações da comunidade

surda e de todos aqueles interessados na inclusão escolar ou social desse grupo

minoritário. No decorrer da história das comunidades surdas, muitos pressupostos

acerca do ensino, do desenvolvimento e da modalidade linguística foram impostos

pelos ouvintes que detinham o poder político para circunscrever os modos de vida dos

surdos. Nas últimas décadas, mudanças de caráter multiculturalista empoderaram

grupos sociais marginalizados, auxiliando-os em uma guinada na esfera social e

política, culminando na definição de direitos e políticas públicas que atendessem

especificamente às necessidades e diferenças até então invisibilizadas. A

comunidade surda levantou a bandeira de um ensino bilíngue, colocando a Língua de

Sinais na dianteira das práticas de ensino-aprendizagem, além de posicioná-la como

meio necessário para o letramento. Documentos oficiais postulam, então, um ensino

bilíngue para surdos, que, mesmo bem amparados linguisticamente por sua língua

sinalizada, ainda precisam aprender a língua da maioria ouvinte. Esse processo de

bilinguismo compulsório pode ser sentido e percebido de maneira simbólica por

surdos, sobretudo quando os processos de ensino do português realizados por

ouvintes remetem a práticas ouvintistas. O objetivo desse trabalho foi analisar as

representações de surdos adultos bilíngues sobre a aprendizagem e utilidade da

língua portuguesa na modalidade escrita. Trata-se de uma pesquisa qualitativa,

realizada por meio de entrevistas em Língua de Sinais com 6 surdos adultos aprovada

pelo CEP pelo parecer 7.374.780. As entrevistas foram conduzidas com apoio de uma

intérprete de Libras e seguiram um roteiro semiestruturado, realizadas por

videochamadas. Os critérios de inclusão foram: participantes surdos, adultos, com a

Libras como primeira língua e o português na modalidade escrita. A análise dos dados

foi realizada com base na análise de conteúdo, na qual os temas mais recorrentes nas

falas dos entrevistados foram categorizados em núcleos de sentido e articulados com

a literatura científica. Os resultados foram organizados em três categorias temáticas.

A categoria 1, referente aos modos de aprendizagem da escrita, parceiros de

comunicação e papel da escola e dos educadores, evidenciou que a aprendizagem

da língua portuguesa ocorreu de forma predominantemente compulsória e, muitas

vezes, sem apoios linguísticos adequados às necessidades dos participantes. A

categoria 2, relacionada às interações entre professores ouvintes e aprendizes

surdos, revelou despreparo pedagógico, dificuldades comunicacionais e a presença

de representações ouvintistas que atravessavam práticas e discursos educacionais.

A categoria 3, voltada às representações sociais sobre os usos da língua portuguesa,

mostrou que a língua foi percebida como instrumento de acesso ao mundo ouvinte,

autonomia e proteção diante de vulnerabilidades sociais e linguísticas. Além disso,

foram identificadas barreiras atitudinais, relacionais, tecnológicas e afetivas que

impactam

Faculdade de Ciências Médicas
Universidade Estadual de Campinas

Correspondência:
Rua Vital Brasil, 80, Cidade Universitária, Campinas-SP, CEP: 13.083-888 – Campinas, SP, Brasil
Acesso:
R. Albert Sabin, s/ nº. Cidade Universitária "Zeferino Vaz" CEP: 13083-894. Campinas, SP, Brasil.
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