AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL EM EM PACIENTES COM ARTERITE DE TAKAYASU E SUA RELAÇÃO COM MASSA MUSCULAR, FUNCIONALIDADE E FADIGA
Candidato(a): Vitor de Castro Grotti Orientador(a): Zoraida Sachetto
Apresentação de Defesa
Curso: Clínica Médica
Local: Anfiteatro da Pós-Graduação da FCM
Data: 22/09/2026 - 08:30
Banca avaliadora
Titulares
Zoraida Sachetto
Arlete Maria Valente Coimbra
Marcelo de Medeiros Pinheiro
Suplentes
José Alexandre Mendonça
Denise Engelbrecht Zantut Wittmann
Resumo
Introdução: A arterite de Takayasu (AT) é uma vasculite de grandes vasos que acomete predominantemente mulheres jovens e pode cursar com fadiga crônica, limitação funcional e redução da capacidade física, mesmo em pacientes com doença controlada. A inflamação crônica, a exposição prolongada aos glicocorticoides e o comprometimento vascular podem contribuir para alterações musculares, porém a repercussão dessas alterações sobre a funcionalidade ainda é pouco compreendida.
Objetivo: Avaliar a composição corporal de pacientes com arterite de Takayasu e sua associação com força muscular, desempenho físico, funcionalidade, fadiga, atividade da doença e exposição aos glicocorticoides.
Métodos: Estudo observacional, analítico e transversal envolvendo 28 pacientes adultos com AT acompanhados em um centro terciário. Foram avaliados antropometria, composição corporal por absorciometria por dupla emissão de raios X (DXA), força de preensão palmar, teste de levantar da cadeira, velocidade de marcha, funcionalidade pelo questionário SARC-F, fadiga pelo MFI-10 e atividade da doença pelo ITAS2010. A sarcopenia foi definida de acordo com os critérios do European Working Group on Sarcopenia in Older People 2 (EWGSOP2). Também foi analisada a exposição aos glicocorticoides de acordo com o tempo desde a última prescrição e pela dose cumulativa.
Resultados: A média de idade foi de 47,5 ± 11,7 anos e nenhum paciente apresentou sarcopenia confirmada. Apesar da preservação da massa muscular, observou-se comprometimento funcional em parcela expressiva da amostra, com 50% dos pacientes apresentando desempenho alterado no teste de levantar da cadeira, enquanto apenas 4% apresentaram redução da força de preensão manual. A massa muscular não se associou à atividade da doença, à fadiga ou à exposição cumulativa aos glicocorticoides. Da mesma forma, os testes funcionais não apresentaram correlação significativa com os parâmetros quantitativos de composição corporal, sugerindo dissociação entre quantidade de massa muscular e desempenho funcional. O índice de massa corporal foi o único preditor independente do índice de massa magra apendicular na análise multivariada.
Conclusões: Pacientes com arterite de Takayasu podem apresentar comprometimento funcional significativo mesmo na ausência de redução da massa muscular ou de sarcopenia estabelecida. Esses achados sugerem que alterações qualitativas da musculatura, possivelmente relacionadas à inflamação crônica, às alterações vasculares e aos efeitos do tratamento, desempenhem papel mais relevante do que a perda quantitativa de massa muscular nessa população. A avaliação desses pacientes deve, portanto, incorporar medidas objetivas de funcionalidade e desempenho físico, além da composição corporal, visando identificar precocemente indivíduos com maior risco de incapacidade e orientar estratégias terapêuticas mais abrangentes.