Sergio Resende Carvalho
Erika Alvarez Inforsato
Elizabeth Maria Freire de Araújo Lima
Emerson Elias Merhy
Daniele Pompei Sacardo
Suplentes
Anselmo Clemente
Monica Moreira Rocha
Cathana Freitas de Oliveira
Resumo
Este trabalho se insere nas pesquisas histórico-políticas em saúde e busca discutir como o contexto de governamentalidade neoliberal tem incidido sobre a Terapia Ocupacional no Brasil contemporâneo ao seu desenvolvimento. Trata-se de um estudo de caráter empírico-teórico que utiliza recortes metodológicos derivados dos estudos arqueo-genealógicos com o objetivo de evidenciar diagramas de governo e processos de subjetivação que a racionalidade neoliberal vem empreendendo no campo. A pesquisa está estruturada em quatro partes principais: i) a apresentação do repertório teórico sobre a governamentalidade neoliberal sob uma perspectiva crítica; ii) a discussão da Terapia Ocupacional como prática de governo, a partir de recortes genealógicos iii) a iluminação dos estudos no campo da subjetividade no que concerne aos processos de psiquiatrização da vida no contexto do neoliberalismo, revelando como a subjetividade neoliberal, com sua faceta meritocrática, empresarial e conservadora, voltada para a maximização do desempenho, tem impactado os processos de clínica, formação e cuidado no contexto contemporâneo, com foco na crítica ao modelo de competências, desempenho e habilidades; iv) à luz do estado da arte pelos achados bibliográficos e experienciais, a última parte apresenta pistas para a construção de tecnologias de enfrentamento à racionalidade neoliberal na dimensão da formação, clínica e cuidado. Essas propostas visam fortalecer a prática da Terapia Ocupacional em um contexto que demanda uma abordagem crítica, implicada com a democracia, com as políticas públicas e com o fortalecimento da dimensão comum da vida cotidiana