ANÁLISE DE MARCHA E FUNCIONALIDADE NOS PACIENTES SUBMETIDOS A
RESSECÇÃO INTRALESIONAL EM TUMORES AO REDOR DO JOELHO
A ressecção intralesional (RI), ou curetagem, é uma técnica cirúrgica utilizada no tratamento de
tumores ósseos benignos e intermediários, como tumor de células gigantes, cisto ósseo aneurismático
e fibroma condromixoide. O joelho é a articulação mais frequentemente acometida. Alterações na
marcha, funcionalidade e qualidade de vida são esperadas após o tratamento cirúrgico.
Este estudo transversal e observacional teve como objetivo avaliar parâmetros da marcha e
funcionalidade de pacientes submetidos à RI e correlacionar com qualidade de vida.
Foram incluídos pacientes em acompanhamento ambulatorial no HC-UNICAMP no ambulatório de
Oncologia Ortopédica, maiores de 18 anos e submetidos a RI ao redor do joelho. A marcha foi
avaliada em plataforma de 4 metros com captação 3D (Vero Vicon®) e processamento pelo Motion
Monitor®. Foram analisados parâmetros espaço-temporais (ET): fase de apoio (FA), fase de balanço,
tempo de ciclo, comprimento do passo, velocidade da marcha (VM) e cadência (CAD). A
funcionalidade foi mensurada por amplitude de movimento (ADM) do joelho em flexão e extensão e
força do quadríceps (FQ) isométrica; e dois testes de performance: “Five Times Sit-to-Stand” (5-
STST) e “Timed Up and Go” (TUG). A qualidade de vida foi quantificada pelos questionários: Lower
Extremity Functional Scale (LEFS) e Musculoskeletal Tumor Society Score (MSTS). Comparações
foram realizadas entre o membro operado (OP) e o contralateral (NOP); os testes funcionais foram
comparados a valores normativos. As correlações seguiram a distribuição dos dados, com significância
de p<0,05.
Dezesseis participantes foram incluídos (10 mulheres). As variáveis ET apresentaram distribuição
normal pelo teste de Shapiro-Wilk, exceto para a FA do lado NOP. A VM da amostra foi de 0,81m/s e
CAD 101.9 passos/min. Não houve diferenças significativas nas variáveis ET da marcha, quando
comparado OP e NOP (p>0.05). FQ foi significativamente menor no lado OP, com déficit médio de
8,3 kgf (IC: -11,2 a -5,4; p=0,004). A média de ADM para flexão foi significativamente menor
(p=0.012) no lado OP (114.4 ±29.0) comparado ao NOP (131 ±7.1). O tempo médio do TUG foi de
9,0 ± 4,6s e o tempo médio do 5-STST foi de 7,4 ± 2,4s. Os scores médios de qualidade de vida e
funcionalidade foram 79,6 ± 23,3% (MSTS) e 75,6% ± 23,8% (LEFS). Houve correlações positivas
forte de Pearson entre FQ e o 5TSTS (r= -0,75; p=0,01); de Spearman forte entre ADM e o score
LEFS (r= 0,73), e moderadas com a CAD (r=0,56) e o score MSTS (r= 0,56). Correlação negativa
baixa e moderada foi observada entre ADM e os testes TUG (r= -0,24) e 5TSTS (r=-0,47),
respectivamente.
Os resultados encontrados apontam recuperação funcional e semelhança das características ET da
marcha após a RI de tumores intermediários. Os resultados demonstram que a RI, como esperado, do
ponto de vista funcional, é uma ótima opção terapêutica com impacto reduzido nos parâmetros da
marcha.