Agonistas dopaminérgicos, especialmente cabergolina, são o tratamento de primeira linha para prolactinomas e têm sido associados a transtorno de controle de impulsos (TCI). No entanto, dados sobre impulsividade e comportamentos relacionados nessa população permanecem limitados e inconsistentes.
Objetivo: Avaliar a impulsividade e os TCI em pacientes com prolactinoma tratados com cabergolina e comparar esses achados com indivíduos sem doença hipofisária.
Métodos: Este estudo transversal incluiu 131 pacientes com prolactinoma recebendo cabergolina e 131 indivíduos sem doença hipofisária. A impulsividade foi avaliada usando a Escala de Impulsividade Barratt (BIS-11), e os TCI foram avaliados por meio de questionários específicos que abordavam hipersexualidade, jogos, compras compulsivas e punding. Análises multivariáveis foram realizadas para avaliar associações independentes.
Resultados: Pacientes tratados com cabergolina apresentaram maior impulsividade, refletida pelo aumento dos escores de BIS-11 e uma maior proporção de indivíduos com aumento de impulsividade (BIS-11 ≥60). A impulsividade atencional permaneceu significativamente maior nos pacientes após ajuste multivariável. Os pacientes também apresentaram 4.47 maiores chances de compras compulsivas em comparação com os controles, enquanto não foram observadas diferenças significativas para outros TIC. Níveis educacionais mais baixos estiveram associados a maior impulsividade em todos os domínios do BIS-11 e a compras compulsivas.
Conclusão: Pacientes com prolactinoma tratados com cabergolina apresentam aumento da impulsividade, especialmente no domínio atencional, além de maiores chances de compras compulsivas. Esses achados sugerem o possível papel da modulação dopaminérgica e a influência de fatores sociodemográficos, reforçando a importância de avaliar ativamente a impulsividade durante o acompanhamento clínico.