DIVERSIDADE DE FUNGOS PRESENTES NO AR EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA ONCOLÓGICA PEDIÁTRICA: IMPLICAÇÕES PARA INFECÇÕES OPORTUNISTAS
Candidato(a): Nathaly Werkling Novo Fahl Orientador(a): Plinio Trabasso
Apresentação de Defesa
Curso: Clínica Médica
Local: Sala azul da Pós-Graduação/FCM
Data: 25/08/2026 - 13:30
Banca avaliadora
Titulares
Plinio Trabasso
Mariangela Ribeiro Resende
Silvia Figueiredo Costa
Suplentes
Marjorie Vieira Batista
Lucieni De Oliveira Conterno
Resumo
Introdução: Fungos presentes em ambientes hospitalares podem representar um risco significativo para pacientes imunocomprometidos, especialmente em unidades de terapia intensiva (UTIs) de oncologia pediátrica. O monitoramento ambiental é essencial para avaliar a diversidade fúngica e identificar potenciais fontes de exposição. Objetivo: Avaliar a concentração e a diversidade de fungos aerotransportados em uma UTI de oncologia pediátrica e investigar a associação entre a carga fúngica, variáveis ambientais, ocupação de leitos e atividades assistenciais. Materiais e métodos: Este estudo prospectivo foi conduzido na UTI de um hospital pediátrico filantrópico especializado em oncologia e hematologia pediátricas no estado de São Paulo, Brasil. Amostras de ar foram coletadas mensalmente entre outubro de 2024 e março de 2025, incluindo leitos, quartos de isolamento e banheiros. Amostras de ar foram coletadas utilizando um impactor de ar tipo Andersen (BIO-SAMP MBS 1000) com um volume de amostragem de 500 L em ágar Sabouraud dextrose suplementado com cloranfenicol. As placas foram incubadas a 37 °C por cinco dias, seguidas pela contagem de unidades formadoras de colônias (UFC) e isolamento de fungos. A identificação molecular foi realizada por meio de extração de DNA, amplificação por PCR das regiões ITS e LSU e sequenciamento. As sequências foram analisadas utilizando o banco de dados NCBI BLAST. Dados meteorológicos, incluindo temperatura, umidade relativa e precipitação, foram obtidos do Centro de Pesquisa Meteorológica e Climática Aplicada à Agricultura (CEPAGRI) da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e correlacionados com as contagens e a diversidade de fungos. As análises estatísticas foram realizadas utilizando o SAS versão 9.4 com um nível de significância de 5%. Resultados: Um total de 491 isolados fúngicos representando 55 gêneros foram identificados, sendo 40% classificados como ambientais e 60% como clinicamente relevantes. Os gêneros predominantes foram Cladosporium spp. (107), Aspergillus spp. (71), Penicillium spp. (59), Phlebiopsis spp. (39), Curvularia spp. (29) e Rhinocladiella spp. (20). Outros gêneros clinicamente relevantes, incluindo Candida, Talaromyces, Alternaria, Paecilomyces, Purpureocillium e Mucor, foram detectados em frequências menores. A precipitação foi significativamente associada ao número de isolados fúngicos recuperados. Conclusão: Uma alta diversidade de fungos aerotransportados, incluindo gêneros fúngicos oportunistas de relevância clínica, foi detectada na UTI de oncologia pediátrica. Embora as concentrações fúngicas tenham permanecido dentro dos padrões regulatórios nacionais. A vigilância ambiental contínua pode contribuir para estratégias de prevenção de infecções e apoiar a avaliação de riscos em ambientes hospitalares críticos.