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Qualificações e defesas - Detalhes


Elaboração de Protocolo Institucional para Identificação Precoce e Manejo de Complicações no Pós-operatório de Hepatectomias


Candidato(a): Fernanda Dias Teramoto
Orientador(a): Elaine Cristina De Ataide

Apresentação de Defesa

Curso: Ciência Aplicada à Qualificação Médica
Local: Anfiteatro da Telemedicina - 3o andar do Hospital de Clínicas da UNICAMP
Data: 20/02/2026 - 09:00
Banca avaliadora
Titulares
Elaine Cristina De Ataide
Antonio Goncalves De Oliveira Filho
Wellington Andraus
Suplentes
Elcio Shiyoiti Hirano
Ajith Kumar Sankarankutty

Resumo



Introdução: As hepatectomias são fundamentais no manejo de diversas doenças hepáticas, incluindo neoplasias malignas, como carcinoma hepatocelular (CHC), colangiocarcinoma e metástases colorretais, e doenças benignas, como adenomas e hemangiomas. Apesar dos avanços técnicos das últimas décadas, estes procedimentos ainda apresentam significativas taxas de morbimortalidade. Além dos impactos clínicos, essas complicações geram repercussões econômicas substanciais para os sistemas de saúde. Objetivo: Avaliar e caracterizar o perfil clínico da população que foi submetida a hepatectomias e suas complicações pós-operatórias, analisar associações entre variáveis clínicas e desfechos do pós-operatório e, a partir destes dados e de revisão da literatura, elaborar protocolo institucional para identificação precoce e manejo correto dessas complicações. Metodologia: Trata-se de estudo observacional retrospectivo com análise de 125 pacientes submetidos a hepatectomias no Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas no período de 2019 a 2023. Foram coletados dados demográficos e clínicos dos pacientes, além de dados do pré, intra e pós-operatórios. A análise estatística foi realizada com o uso de testes univariados (Mann-Whitney, Qui-quadrado, Exato de Fisher), regressão logística univariada e regressão logística múltipla com critério de seleção de stepwise. Resultados: A idade média dos pacientes foi de 56,4 anos, sendo 52,8% homens. Complicações ocorreram em 55,2% dos casos, sendo as infecções (37,6%) as mais comuns. O tempo médio de internação hospitalar foi de 7,16 dias e a mortalidade em 40 dias foi de 11,4%. Na análise univariada, perda sanguínea, albumina sérica pré-operatória, presença de hepatopatia crônica, maior extensão da hepatectomia, modalidade cirúrgica aberta e necessidade de transfusão no intraoperatório apresentaram associação com complicações. Na regressão logística múltipla, apenas a extensão da hepatectomia (OR = 5,59 ; p = 0,007) e a presença de hepatopatia crônica (OR = 18,37 ; p = 0,011) permaneceram independentemente associadas à ocorrência de complicações. Em relação à mortalidade, idade (OR = 1,138 ; p = 0,042) e albumina (OR = 0,148 ; p = 0,010) foram fatores prognósticos significativos, indicando aumento de 13,8% na chance de óbito a cada ano adicional e redução de 85% a cada incremento de 1 g/dL de albumina. Discussão: Os resultados confirmam a complexidade das hepatectomias, com taxas de complicações alinhadas às descritas na literatura internacional. Fatores como idade, comorbidades, presença de hepatopatia crônica, doenças de base malignas 3 e agressivas e fatores do intraoperatório, como perda sanguínea e necessidade de transfusão podem representar agravantes. A mortalidade foi ligeiramente superior à da literatura, refletindo a gravidade dos casos tratados em um hospital terciário. A presença de hepatopatia crônica e a extensão da ressecção são fatores associados à ocorrência de complicações, enquanto idade e baixa albumina sérica pré-operatória refletem reserva funcional e capacidade de resposta sistêmica, influenciando o prognóstico pós-operatório. Conclusão: As hepatectomias são essenciais no manejo das doenças hepáticas, mas apresentam taxas significativas de complicações. A extensão da hepatectomia, a perda sanguínea no intraoperatório e a presença de hepatopatia crônica estão associadas a maior incidência de complicações, enquanto idade e albumina constituem fatores independentes relacionados à mortalidade. Identificar fatores de risco pré-operatórios e melhorar o manejo intra e pós- operatório são estratégias essenciais para melhorar os desfechos clínicos. A análise de fatores preditivos e o desenvolvimento de protocolos podem contribuir para melhorar os desfechos cirúrgicos e reduzir complicações.

Faculdade de Ciências Médicas
Universidade Estadual de Campinas

Correspondência:
Rua Vital Brasil, 80, Cidade Universitária, Campinas-SP, CEP: 13.083-888 – Campinas, SP, Brasil
Acesso:
R. Albert Sabin, s/ nº. Cidade Universitária "Zeferino Vaz" CEP: 13083-894. Campinas, SP, Brasil.
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