AVALIAÇÃO CLÍNICA E LABORATORIAL DA RESPOSTA IMUNE CELULAR E HUMORAL DE PACIENTES CONVALESCENTES DE COVID-19
Candidato(a): André Citroni Palma Orientador(a): Maria Luiza Moretti
Apresentação de Defesa
Curso: Clínica Médica
Local: Auditorio do Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades - FCM - UNICAMP
Data: 21/09/2026 - 13:30
Banca avaliadora
Titulares
Maria Luiza Moretti
Ho Yeh Li
Sara Teresinha Olalla Saad
Reinaldo Salomão
Aline Gonzalez Vigani
Suplentes
Gabriel Berg de Almeida
Margareth Castro Ozelo
Ligia Camera Pierrotti
Resumo
Na infecção por SARS-CoV-2 a desregulação do sistema imune e a tempestade de citocinas contribuem para uma inadequada resposta do hospedeiro, predispondo a desfechos clínicos desfavoráveis nas formas graves da COVID-19. Múltiplos estudos têm mostrado um perfil crônico de ativação imune em pacientes recuperados da doença, a exemplo do que ocorre para outras infecções. Esse estado imunopatológico tem sido relacionado a diversos sintomas no período de convalescença, caracterizando a Síndrome Pós-COVID (SPC). Embora extensamente estudada, a caracterização imunológica precisa da SPC ainda permanece objeto de apreciação. O presente estudo objetivou determinar e caracterizar as respostas imune celular e humoral em pacientes que apresentaram formas graves da COVID-19, por até 16 meses após a alta hospitalar, bem como descreveu sintomas associados à SPC, correlacionando marcadores imunes com a presença e duração desses sintomas. Foram acompanhados 48 pacientes convalescentes ao longo deste período, comparados a 48 indivíduos controles, pareados por sexo, idade e IMC. Observou-se elevação persistente dos níveis de IL-6 (p < 0,0001), IL-10 (p = 0,0003), IgG (p = 0,0240) e IgA (p = 0,0349) em pacientes com COVID-19 grave. 42 pacientes (87,5%) apresentaram sintomas compatíveis com SPC, com envolvimento total de 14 órgãos/sistemas. Em 21 (50,0%) destes, o acometimento foi ≥ a 12 meses. O sexo feminino (OR 17,2; p = 0,0127) representou o único fator de risco independente associado à ocorrência de SPC. Pacientes com SPC apresentaram menores valores de segmentados (p = 0,0105), monócitos (p = 0,0079), eosinófilos (p = 0.0007), hemoglobina (p = 0,0306), hematócrito (p = 0,0121), IL-1ß (p = 0,0239) e IFN-γ (p < 0,0001), além de índices elevados de cortisol (p < 0,0001). Adicionalmente, valores elevados de IL-6 durante a fase aguda associaram-se ao desenvolvimento da SPC, enquanto concentrações aumentadas de IL-10 relacionaram-se à maior duração destes. Apesar dessas alterações, observou-se competência funcional da imunidade adaptativa, evidenciada pela manutenção da resposta humoral prévia e da resposta imunológica à vacinação pneumocócica. Os resultados demonstram que a COVID-19 pode induzir alterações imunológicas persistentes por até 16 meses após a alta hospitalar, possivelmente associado à dano tecidual duradouro e aumento da permeabilidade de mucosas. Além disso, foi possível identificar marcadores laboratoriais da fase aguda associados à ocorrência futura de SPC. Os resultados demonstram que a recuperação após a COVID-19 grave constitui um processo prolongado de remodelamento imunológico, caracterizado por alterações seletivas da imunidade inata, da interação neuroimunoendócrina e da imunidade adaptativa, reforçando a natureza o fenótipo heterogêneo da SPC. Estes achados podem contribuir para o manejo clínico dos pacientes no período pós alta e para o melhor entendimento da Síndrome Pós Infecciosa Aguda em outras etiologias.