EPIDEMIOLOGIA, PERFIL DE SENSIBILIDADE AOS ANTIFÚNGICOS E PESQUISA DE MUTAÇÕES NO GENE ERG11 DE ESPÉCIES DE Candida E GÊNEROS RELACIONADOS, ISOLADAS DE HEMOCULTURA NO HOSPITAL DE CLÍNICAS DA UNICAMP
Candidato(a): Larissa Ortolan Levy Orientador(a): Maria Luiza Moretti
Apresentação de Defesa
Curso: Clínica Médica
Local: Sala 5 do CIPED
Data: 24/08/2026 - 09:00
Banca avaliadora
Titulares
Maria Luiza Moretti
Ana Beatriz Alkmim Teixeira Loyola
Mariangela Ribeiro Resende
Suplentes
Carolina Carvalho Ribeiro do Valle
Luciana da Silva Ruiz
Resumo
A candidemia está entre as principais causas de infecções sanguíneas em hospitais, apresentando elevadas taxas de mortalidade. Nas últimas décadas, tem sido observada a emergência de espécies de Candida resistentes aos antifúngicos. Neste estudo, buscamos analisar os casos de candidemia em pacientes do Hospital de Clínicas da Unicamp (HC/Unicamp), descrevendo a distribuição epidemiológica dos casos entre 2017 e 2025, o perfil de sensibilidade aos antifúngicos e a caracterização de mutações de resistência dos isolados obtidos entre 2017 e 2022. Os testes de sensibilidade aos antifúngicos (TSA) foram realizados pela técnica de microdiluição em caldo, seguindo as diretrizes do Clinical and Laboratory Standards Institute (CLSI). A identificação molecular foi realizada pelo sequenciamento da região D1/D2, e a busca de mutações foi feita analisando o gene ERG11. Foram identificados 456 isolados de Candida e gêneros relacionados em hemoculturas de 425 pacientes do HC/Unicamp, sendo Candida albicans a espécie mais frequente (41%), seguida por Candida tropicalis (18,6%), Nakaseomyces glabratus (16,7%) e Candida parapsilosis (13,4%). Observou-se estabilidade epidemiológica nos primeiros sete anos da série histórica (2017–2023), com média de 46,4 isolados por ano, seguida por aumento significativo em 2024 e 2025 (63 e 68 isolados, respectivamente; p<0,05). A distribuição das espécies manteve-se estável ao longo do período, com espécies de Candida “não-albicans” representando 59% dos isolados e predominando em oito dos nove anos analisados. O número de pacientes com candidemia por 1.000 internações foi de 3,92 casos, com aumento significativo a partir de 2023, atingindo o valor de 5,24 em 2025 (p<0,05), principalmente em decorrência das espécies de Candida “não-albicans”. A densidade de incidência foi de 0,39 casos por 1.000 pacientes-dia, com picos em 2020 e entre 2024 e 2025, com tendência crescente e valor de p próximo ao limiar de significância (p=0,0767). Durante a pandemia de COVID-19 (2020 e 2021), houve uma redução de C. albicans (43,2% no período pré-pandemia para 32,6% na pandemia), com aumento de N. glabratus e C. parapsilosis, porém com retorno ao padrão pré-pandêmico nos anos subsequentes. O TSA foi realizado em 259 isolados de 2017 a 2022, dos quais 15 (5,8%) foram não-sensíveis a pelo menos um antifúngico testado. As taxas permaneceram estáveis entre 2017 e 2021 (2,04%-5,0%), mas aumentaram significativamente em 2022, quando oito isolados (17,4%) foram classificados como não-sensíveis (p<0,05). Três C. tropicalis resistentes a fluconazol e voriconazol apresentaram mutações no gene ERG11, sendo duas com a substituição Y257H e uma com a combinação Y132F/Y257N. Uma C. orthopsilosis non-wild type para esses antifúngicos apresentou a mutação Y13C. Não foram detectadas mutações em cinco N. glabratus não-sensíveis e uma C. parapsilosis resistente a esses mesmos antifúngicos. Não foram observados isolados resistentes à micafungina ou multirresistentes. Os resultados demonstram aumento recente no número de pacientes com candidemia no HC/Unicamp, principalmente associado a espécies de Candida “não-albicans”, bem como um crescimento na frequência de isolados não-sensíveis a azóis. Esses achados reforçam a importância da rápida identificação de espécies e da vigilância contínua da sensibilidade antifúngica em isolados clínicos para subsidiar estratégias terapêuticas e de controle da resistência.