Cassia Raquel Teatin Juliato
Mariane Nunes de Nadai
Luiz Francisco Cintra Baccaro
Isabel Cristina Esposito Sorpreso
Cristina Laguna Benetti Pinto
Suplentes
Eneida Maria Boteon Schmitt
José Maria Soares Junior
Gabriela Pravatta Rezende Antoniassi
Resumo
Objetivo: Avaliar a melhora dos marcadores laboratoriais de anemia (hemoglobina, hematócrito, ferro sérico e ferritina) de mulheres com sangramento menstrual intenso (SMI) tratadas com o dispositivo intrauterino de levonorgestrel (DIU-LNG) de 19,5 mg e sua satisfação após um ano de uso do dispositivo. Método: Estudo de coorte prospectivo que descreveu os marcadores laboratoriais de anemia (hemoglobina, hematócrito, ferro sérico e ferritina) de 73 mulheres com SMI entre 18 e 48 anos de idade após a inserção do DIU-LNG 19,5 mg. O segundo estudo mostrou a satisfação dessas mulheres após um ano de uso do DIU-LNG. Após exame basal de hemoglobina, hematócrito, ferro sérico e ferritina e ultrassonografia transvaginal para descartar miomas ou pólipos intracavitários, o DIU-LNG foi inserido, e as mulheres retornaram após 12 meses para nova determinação dos parâmetros laboratoriais e aplicação de um questionário para avaliar a satisfação com o uso do DIU-LNG. A análise estatística por protocolo avaliou participantes com todos os dados disponíveis, e a análise por intenção de tratar tomou dados das 73 participantes, preenchendo as lacunas com a mediana do grupo na ausência de todos os dados, ou com o método da última observação levada adiante quando pelo menos um dado estava disponível. Ausente a distribuição normal, as características clínicas e demográficas foram mostradas como mediana e intervalo interquartil. Os marcadores laboratoriais de anemia foram comparados com o teste de Wilcoxon entre duas avaliações. Os níveis de ferritina foram comparados usando-se dois pontos de corte com o teste de McNemar. Foi usado o pacote estatístico SAS para Windows, versão 9.4. A satisfação das mulheres foi descrita através de um questionário que avaliou a quantidade, a previsibilidade do sangramento, a cólica, a satisfação geral, o desejo de continuar o uso do DIU-LNG e a possibilidade de recomendá-lo a outrem. Foram avaliadas também a facilidade de inserção e a dor durante o procedimento. Resultados: Um ano após a inserção do DIU-LNG, amenorreia foi relatada por 10 (13,7%) mulheres. A proporção de níveis normais de hemoglobina (p=0,014), hematócrito (p<0,001) e ferro sérico (p=0,003) melhorou significativamente. Em ambas as análises, a proporção de níveis normais de ferritina melhorou com o ponto de corte de 15 ng/ml (p<0,001), mas não houve diferença com o ponto de corte de 30 ng/ml (p=0,083). A maioria das mulheres ficou satisfeita ou muito satisfeita com o DIU-LNG como tratamento para o SMI em relação à quantidade de sangramento (n=51; 96,2%), previsibilidade (n=43; 81,1%) e cólica (n=42; 79,2%) um ano após a inserção do dispositivo. A satisfação geral foi de 98,1%. Além disso, o profissional de saúde relatou que a inserção tinha sido fácil (n=66; 90,4%), com dor variada durante o procedimento. Conclusão: O DIU-LNG 19,5 mg melhorou os marcadores laboratoriais de anemia de mulheres com SMI um ano após a inserção, e a satisfação foi alta.