Jose Barreto Campello Carvalheira
Luis Antônio Pires
Celso Dario Ramos
Suplentes
Fernanda Loureiro De Andrade Orsi
Ligia De Moraes Antunes Correa
Resumo
Introdução: O câncer colorretal (CCR) representa um importante problema de saúde pública global, sendo uma das principais causas de morbimortalidade por neoplasias malignas. Nesse contexto, a identificação de marcadores prognósticos mais precisos é fundamental para o aprimoramento da estratificação de risco e individualização terapêutica. Objetivo: Avaliar a aplicabilidade de uma nova variável preditora de mortalidade, denominada VMD, definida como a diferença entre a radiodensidade mediana do tecido adiposo visceral e a radiodensidade mediana do músculo esquelético, em pacientes com câncer colorretal. Metodologia: Trata-se de um estudo retrospectivo, unicêntrico, realizado de janeiro de 2010 a dezembro de 2016 na Universidade Estadual de Campinas, incluindo pacientes com diagnóstico câncer colorretal submetidos à tomografia computadorizada pré-tratamento. A amostra foi estratificada em tercis da variável VMD, sendo analisadas a sobrevida global e a sobrevida livre de doença por meio de curvas de Kaplan-Meier e modelos de regressão de Cox. Resultado: Foram incluídos 444 pacientes na análise global, composto por 239 pacientes com câncer de colon e 205 pacientes com câncer de reto. Na análise de regressão de Cox, o terceiro tercil do VMD esteve associado a um aumento de aproximadamente três vezes no risco de mortalidade em comparação ao primeiro tercil na população total (HR: 3,62; IC95%: 2,39- 5,49; p < 0,001). Esse efeito foi consistente nos subgrupos por sexo, com aumento de risco de cerca de 2,9 vezes em homens (HR: 2,92; IC95%: 1,60-5,34; p < 0,005) e 4,0 vezes em mulheres (HR: 4,06; IC95%: 2,22-7,43; p < 0,001). Na análise por estadiamento, houve aumento no risco no estágio II (HR: 2,72; IC95%: 1,27-5,8; p < 0,01), porém o impacto prognóstico foi mais pronunciado no estágio III, com aumento de aproximadamente 4 vezes no risco de morte (HR: 3,99; IC95%: 2,35-6,78; p < 0,001. Adicionalmente, a VMD apresentou associação com variáveis clínicas relevantes, como idade, perda ponderal, estado funcional e composição corporal, incluindo redução da massa e radiodensidade muscular, além de alterações nos compartimentos adiposos. Conclusão: a variável VMD constitui um potencial biomarcador prognóstico no câncer colorretal, refletindo de forma integrada alterações na composição corporal e no estado metabólico do paciente, podendo contribuir para uma melhor estratificação de risco e tomada de decisão clínica.