Fabiola Taufic Monica Iglesias
Erick José Ramo da Silva
Ana Paula Couto Davel
Suplentes
Carlos Renato Tirapelli
Fábio Henrique da Silva
Ricardo Miyaoka
Resumo
Introdução: A próstata é uma glândula integrante do sistema reprodutor masculino e pode ser acometida por uma condição urológica comum denominada hiperplasia prostática benigna (HPB). A HPB caracteriza-se pelo aumento progressivo do volume prostático, o qual está frequentemente associado ao desenvolvimento de sintomas do trato urinário inferior. Esses sintomas podem causar dor, desconforto e constrangimento aos pacientes, além de representarem um relevante impacto socioeconômico, especialmente considerando o aumento da prevalência da HPB com o envelhecimento da população. O reposicionamento de medicamentos representa uma estratégia eficiente no desenvolvimento de novas terapias, uma vez que reduz o tempo e os custos associados às etapas iniciais de pesquisa ao oferecer a medicamentos aprovados e abandonados uma nova oportunidade para novas indicações. A probenecida, um antigo agente uricosúrico, tem sido identificada como um potencial opção terapêutica para o tratamento de determinadas doenças cardiovasculares, modulando a contratilidade miocárdica e o tônus vascular, além de exercer propriedades anti-inflamatórias. Resultados preliminares indicam que a probenecida potencializa os efeitos de fármacos utilizados no trato urogenital em bexiga urinária isolada de porco. Com base nesses achados, levantamos a hipótese de que a associação da probenecida a medicamentos atualmente utilizados no tratamento da HPB pode aumentar a eficácia terapêutica. Metodologia: Foram realizados estudos in vitro e in vivo utilizando ratos Wistar machos. Em preparações in vitro, tiras de próstata ventral foram isoladas e montadas em banho de órgãos para avaliação funcional por curvas concentração-resposta a diferentes agentes relaxantes, na ausência e presença de probenecida, com análise de Emax e pEC50. Adicionalmente, os níveis teciduais de AMPc e GMPc foram quantificados por cromatografia líquida acoplada a espectrometria de massas sequencial (LC-MS/MS). Nos estudos in vivo, foi empregado um modelo patológico de HPB induzida por testosterona, com tratamentos com tadalafil, probenecida ou a associação de ambos. Após o tratamento, foram realizados experimentos funcionais com a próstata isolada desses animais. Os dados foram analisados por testes estatísticos apropriados, considerando-se p < 0,05 como significativo e os resultados foram expressos como média ± desvio padrão, N = número de animais. Resultados: Nos experimentos in vitro, a probenecida potencializou significativamente o relaxamento induzido por agonistas β-adrenérgicos, promovendo aumento da potência e, em concentrações mais elevadas, da eficácia máxima do isoproterenol e salbutamol. Em contraste, a probenecida exerceu efeito limitado sobre o relaxamento induzido por doadores de óxido nítrico, modulando apenas a eficácia máxima do nitroprussiato de sódio. A probenecida não modificou a resposta ao tadalafil, riociguat e forskolin. A análise bioquímica revelou tendência de aumento nos níveis intracelulares de AMPc na presença de salbutamol associado à probenecida, enquanto os níveis de GMPc permaneceram inalterados. Nos experimentos in vivo, a indução da HPB promoveu aumento expressivo do volume prostático, sem alterações no peso corporal ou na pressão arterial. Funcionalmente, a HPB foi associada a hipercontratilidade à fenilefrina. A associação dos medicamentos (tadalafil e probenecida) atenuou a resposta contrátil α₁-adrenérgica sem modificar a resposta neurogênica avaliada por estimulação de campo elétrico. Conclusão: Os resultados indicam que a probenecida modula a via β-adrenérgica/AMPc, possivelmente por interferir nos mecanismos de efluxo e na compartimentalização de nucleotídeos cíclicos. A associação entre probenecida e tadalafil demonstrou indícios de efeito sinérgico na modulação da contratilidade do músculo liso prostático. Esses achados sugerem um potencial terapêutico na terapia combinada, justificando investigações adicionais para elucidar os mecanismos moleculares envolvidos e avaliar sua relevância clínica.