ANÁLISE COMPUTACIONAL DA BIOMECÂNICA DE MOVIMENTOS DA REGIÃO TORACOLOMBAR DA COLUNA VERTEBRAL COM E SEM PRESENÇA DE HÉRNIA DE DISCO POR MEIO DE ACELERÔMETRO
Raquel Franco Leal
Oscar Kenji Nihei
Alberito Rodrigo de Carvalho
Resumo
Introdução: A coluna vertebral é uma das regiões de maior susceptibilidade a impactos mecânicos pelas atividades de deslocamentos diários e, decorrente ao fato, apresenta elevada possibilidade de lesões discais. A lombalgia é a principal manifestação e interfere diretamente nos aspectos social e financeiro do indivíduo e da sociedade. Assim sendo, é fundamental a compreensão do comportamento biomecânico desta região anatômica.
Objetivo: Analisar a biomecânica dos movimentos da coluna vertebral sem e com hérnia discal L4-L5 utilizando acelerômetro em smartphone e o Sistema de Monitoramento de Movimentos e Análise Remota em Telemedicina (SMMAR-T).
Materiais e Métodos: A casuística incluiu 23 participantes, com idade entre 40-50 anos, divididos em grupo saudável (GS) (n=11) e grupo com lesão herniária (GL) (n=12). Com o acelerômetro em smartphone posicionado em região interescapular, coletaram-se dados de movimentos de flexão, extensão e lateralizações direita e esquerda, em posições sentada e ortostática. As curvas com dados brutos de acelerações foram, matematicamente, ajustadas pelo SMMAR-T e as funções de deslocamento e velocidade angular eram determinadas para obtenção das Amplitudes máximas dos movimentos (ADMs), Curvas padrões individuais (CPIs) e as respectivas Curvas padrões gerais (CPGs) dos movimentos. Com isto, definiram-se os Eixos de predominância (Epreds) dos movimentos e realizaram-se comparações, entre os grupos, das ADMs, das CPIs de deslocamento angular e de velocidade angular com as respectivas CPGs e das CPGs entre Gs e GL utilizando-se de coeficiente de determinação. Nas comparações estatísticas fixou-se o intervalo de confiança de 95%.
Resultados: O GL demonstrou menores ADMs em comparação ao GS, sendo Flexão sentado (p-valores de Y e Z<0,0001) e ortostático (p-valores Y e Z<0,0001), Extensão sentado (p-valores Y=0,0069 e Z=0,005) e ortostático (p-valores Y= 0,0188 e Z=0,0240), Inclinação direita sentado (p-valores Y=0,0002 e X< 0,0001) e ortostático (p-valores (Y=0,0541 e X<0,0001), Inclinação esquerda sentado (p-valores Y=0,0033 e X=0,0011) e ortostático (p-valores Y=0,1275 e X=0,0025). Em deslocamento angular, comparações entre grupos das CPGs demonstraram R2 em Flexão sentado (Y=0,79 e Z=0,79) e ortostático (Y=0,78 e Z=0,78), em Extensão sentado (Y=0,71 e Z=0,69) e ortostático (Y=0,9 e Z=0,91). Nas posições de Inclinações sentados direita (Y=0,75 e X=0,76) e esquerda (Y=0,85 e X=0,83), enquanto ortostática, Inclinação direita e esquerda, respectivamente, valores de (Y=0,93 e X=0,90) e (Y=0,96 e X=0,93). Em velocidade angular média, os resultados das comparações das CPGs do GS e do GL foram para Flexão sentado (p-valores eixo Y=0,0006 e Z=0,0011) e ortostático (p-valores eixo Y<0,0001 e Z=0,0001), Extensão sentado (p-valores eixo Y = 0,0159 e Z = 0,0125) e ortostático (p-valores eixo Y=0,045 e Z=0,0148), Inclinação direita sentado (p-valores eixo Y<0,0001 e X <0,0001) e ortostático (p-valores eixo Y=0,3008 e X<0,0345) e Inclinação esquerda sentado (p-valores eixo Y=0,0058 e X=0,0006) e ortostático (p-valores eixo Y=0,7247 e X=0,0201).
Conclusão: A utilização do acelerômetro presente em smartphone com o auxílio do SMMAR-T foi capaz de analisar o comportamento biomecânico dos movimentos flexão, extensão, inclinação lateral direita e esquerda, em posições sentada e ortostática, da região toracolombar de indivíduos com e sem presença de hérnia discal protrusa em segmento L4-L5.