ASSOCIAÇÕES ENTRE O ÂNGULO DE FASE DA IMPEDÂNCIA BIOELÉTRICA E OS COMPONENTES DA APTIDÃO FÍSICA DA INFÂNCIA À ADOLESCÊNCIA: UM ESTUDO DE COORTE
Candidato(a): Núbia Maria de Oliveira Orientador(a): Ezequiel Moreira Gonçalves
Apresentação de Defesa
Curso: Saúde da Criança e do Adolescente
Local: Sala 03 CIPED
Data: 18/06/2026 - 14:00
Banca avaliadora
Titulares
Ezequiel Moreira Gonçalves
Tathyane Krahenbuhl
Marcos Tadeu Nolasco Da Silva
Lilia Freire Rodrigues De Souza Li
Romulo Araújo Fernandes
Suplentes
Carla Cristiane da Silva
Maria Angela Bellomo Brandao
Anderson Marques de Moraes
Resumo
Esta tese foi estruturada no formato tradicional, seguindo as normas da Comissão de Pós-Graduação da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas. Trata-se de um estudo longitudinal em que o objetivo principal foi investigar se os valores do ângulo de fase (AngF) da bioimpedância elétrica (BIA) medidos na infância estariam associados com a aptidão física e composição corporal ao longo da infância e adolescência. E como objetivos específicos foram: i) verificar a estabilidade dos indicadores de aptidão física, composição corporal e do AngF entre T1 e T2; ii) Verificar se diferentes níveis de AngF na infância discriminam diferentes níveis de aptidão física e composição corporal ao longo do tempo; iii) Examinar se maiores valores de AngF medido na infância estariam associados a melhor aptidão física e composição corporal na adolescência. A amostra consistiu de 437 crianças (223 meninos). Os participantes foram avaliados aos 9–11 anos (T1) e novamente aos 15–17 anos (T2), sendo que 275 completaram o seguimento (taxa de retenção: 62,9%). Um aparelho de BIA multifrequência forneceu o AngF à 50kHz. A absorciometria por dupla energia de raios X (DXA) determinou a massa magra total, que foi corrigida pela estatura² (IMLG) e o percentual de massa gorda (%MG). A força de preensão manual (FPM) e o salto horizontal (SH) foram ajustados alometricamente pela massa corporal. O consumo máximo de oxigênio (VO₂pico) foi medido por meio de um teste de esforço em cicloergômetro e ajustado pela MLG. A estabilidade das variáveis entre T1 e T2 foi analisada por correlação parcial ajustada pelo estado pubertário e por quartis específicos por sexo. As associações entre AngF na infância e desfechos ao longo do tempo foram testadas por modelos lineares mistos, ajustados por idade e estado pubertário. A Regressão múltipla hierárquica, com ajuste por idade, sexo, estado pubertário, nível de atividade física (T1) e variável dependente (T1) foi empregada. Os principais resultados mostraram estabilidade das variáveis em ambos os sexos (r=0,23–0,76; p<0,05), com coeficientes predominantemente moderados a altos. Associações fracas foram observadas para FPM em ambos os sexos e VO₂pico nos meninos. O AngF na infância associou-se positivamente com FPM (β=1,88–2,70), SH (β=24,14–29,78), abdominais (β=2,90–3,00) e IMLG (β=1,25–1,41) em ambos os sexos, e com VO₂pico apenas nas meninas (β=4,50; p<0,001). Não houve interação consistente com o tempo, exceto para SH nas meninas (β=22,54; p=0,009) e IMLG em ambos os sexos (β=0,63–0,78; p<0,001). Não houve associações com o %MG. Houve maior desempenho em SH e maiores valores de IMLG nos quartis mais elevados de AngF, especialmente na adolescência. Após ajustes por idade, sexo, estado pubertário, nível de atividade física e valor basal, o AngF na infância associou-se positivamente com FPM (β=0,23; p<0,001), SH (β=0,16; p=0,002) e IMLG (β=0,14; p=0,002) na adolescência, todas de fraca magnitude. Em síntese, o AngF na infância apresentou estabilidade moderada a alta ao longo do tempo e associou-se principalmente à aptidão muscular e à massa magra, sem evidências consistentes para aptidão cardiorrespiratória, exceto no sexo feminino. Esses achados sugerem que o AngF pode atuar como um marcador precoce, ainda que modesto, de aptidão muscular e MLG ao longo do desenvolvimento.