Estudo da dosimetria da Terapia com Ondas de Choque nas desordens Musculoesqueléticas
Candidato(a): Thiago Alves Garcia Orientador(a):
Apresentação de Defesa
Curso: Ciências da Cirurgia
Local: Sala Verde - CPG/FCM
Data: 20/08/2026 - 09:00
Banca avaliadora
Titulares
William Dias Belangero
José Ricardo Lenzi Mariolani
Paulo Facciolla Kertzman
Amanda Veiga Sardeli
Rodrigo Goncalves Pagnano
Suplentes
Bruno Livani
Robson Chacon Castoldi
Guilherme Akio Tamura Ozaki
Resumo
Introdução: A terapia por ondas de choque extracorpóreas (TOCE) vem sendo cada vez mais usada nas desordens musculoesqueléticas, principalmente para o tratamento de dores e inflamação em tecidos moles e para estimular a consolidação de fraturas ósseas. Embora haja diversos estudos sobre o assunto os resultados permanecem por vezes conflitantes. Um dos motivos para esta inconsistência pode ser explicado pela variabilidade dos parâmetros dosimétricos adotados nos estudos.
Objetivo: Realizar revisão sistemática e meta-análise sobre a literatura acerca da Terapia por Ondas de Choque Extracorpórea (TOCE) em relação ao tecido ósseo e aos tecidos moles. O estudo visa aplicar modelos de meta-regressão linear para verificar a relação da Densidade de Fluxo de Energia (EFD), da frequência (Hz), do número de pulsos, da pressão (Bar), do número de sessões na eficácia do tratamento.
Métodos: A pesquisa bibliográfica foi realizada no PubMed (MEDLINE), EMBASE, Cochrane, Web of Science e Scopus em novembro de 2022. Nos tecidos ósseos, foram analisados os desfechos de dor, escores funcionais, taxa de consolidação e dimensão da lesão, avaliados aos 3, 6, 12 e 24 meses pós-intervenção. Nos tecidos moles, forma extraídos os desfechos de redução da dor, limiar de dor à pressão (PPT), qualidade de vida, amplitude de movimento (ROM) e força muscular, isso para cada tempo após o fim do tratamento. As meta-regressões cruzaram estes desfechos com os parâmetros de tratamento e índices baseados nesses parâmetros.
Resultados: Foram encontrados 3.641 estudos e após a seleção de artigos relacionados a patogias musculoesqueléticas, 291 deles foram incluídos para análise. No tecido ósseo, a intervenção reduziu significativamente a dor e melhorou a funcionalidade a longo prazo, contudo, as meta-regressões não detectaram associação estatística entre a dosimetria (EFD ou pulsos) e estes desfechos (p > 0,05). Em contraste, a resposta dos tecidos moles evidenciou uma dependência da dose. A TOCE demonstrou eficácia global (ambos tipos de ondas) na diminuição imediata da dor (SMD = -0,70) e no ganho agudo de amplitude de movimento (SMD = 1,41). De forma similar, foi observado superioridade das ondas focais na elevação do limiar físico de dor (PPT), gerando um tamanho de efeito acima da média (SMD = 3,20) e correlacionando-se positivamente com o aumento da energia (EFD). Contudo, a aplicação de volumes excessivos de pulsos focais prejudicou significativamente a amplitude de movimento inicial (p = 0,0009). As ondas radiais apresentaram os melhores resultados para o ganho agudo de força (SMD = 0,19), demonstrando uma correlação positiva com o uso de altas frequências (p = 0,0181), embora dependam de um maior número de sessões para prolongarem a sua eficácia a longo prazo.
Conclusão:
A TOCE apresenta potencial como terapia adjuvante no tratamento das desordens musculoesqueléticas, capaz de modular a dor e otimização funcional do sistema musculoesquelético tanto em patologias dos tecidos moles como de ossos. Embora efeitos clínicos sejam claros, os principais parâmetros de tratamento relacionados a dosimetria não têm relação com direta com efeitos a longo prazo. Sua eficácia em atenuar as principais queixas mostra que as variantes focais e radiais exigem protocolos direcionados de frequência, intervalos e energia para promoverem a alterações locais sem causarem dano restritivo ao paciente.