As representações sociais de surdos sobre a aprendizagem do português como segunda língua
Candidato(a): Carlos Erik Ananias Orientador(a): Ivani Rodrigues Silva
Apresentação de Defesa
Curso: Saúde, Interdisciplinaridade e Reabilitação
Local: Anfiteatro da Pós graduação
Data: 21/07/2026 - 09:00
Banca avaliadora
Titulares
Ivani Rodrigues Silva
Lucia Helena Reily
Wilma Favorito
Suplentes
Janice Goncalves Temoteo Marques
Resumo
A educação e todos os fenômenos referentes à linguagem (e não apenas à língua) dos surdos foram e continuam sendo um eixo central nas mobilizações da comunidade surda e de todos aqueles interessados na inclusão escolar ou social desse grupo minoritário. No decorrer da história das comunidades surdas, muitos pressupostos acerca do ensino, do desenvolvimento e da modalidade linguística foram impostos pelos ouvintes que detinham o poder político para circunscrever os modos de vida dos surdos. Nas últimas décadas, mudanças de caráter multiculturalista empoderaram grupos sociais marginalizados, auxiliando-os em uma guinada na esfera social e política, culminando na definição de direitos e políticas públicas que atendessem especificamente às necessidades e diferenças até então invisibilizadas. A comunidade surda levantou a bandeira de um ensino bilíngue, colocando a Língua de Sinais na dianteira das práticas de ensino-aprendizagem, além de posicioná-la como meio necessário para o letramento. Documentos oficiais postulam, então, um ensino bilíngue para surdos, que, mesmo bem amparados linguisticamente por sua língua sinalizada, ainda precisam aprender a língua da maioria ouvinte. Esse processo de bilinguismo compulsório pode ser sentido e percebido de maneira simbólica por surdos, sobretudo quando os processos de ensino do português realizados por ouvintes remetem a práticas ouvintistas. O objetivo desse trabalho foi analisar as representações de surdos adultos bilíngues sobre a aprendizagem e utilidade da língua portuguesa na modalidade escrita como segunda língua. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, realizada por meio de entrevistas em Língua de Sinais com 6 surdos adultos aprovada pelo CEP pelo parecer 7.374.780. As entrevistas foram conduzidas com apoio de uma intérprete de Libras e seguiram um roteiro semiestruturado, realizadas por videochamadas. Os critérios de inclusão foram: participantes surdos, adultos, com a Libras como primeira língua e o português como segunda língua. A análise dos dados foi realizada com base na análise de conteúdo, na qual os temas mais recorrentes nas falas dos entrevistados foram categorizados em núcleos de sentido e articulados com a literatura científica. Os resultados foram organizados em três categorias temáticas. A categoria 1, referente aos modos de aprendizagem da escrita, parceiros de comunicação e papel da escola e dos educadores, evidenciou que a aprendizagem da língua portuguesa ocorreu de forma predominantemente compulsória e, muitas vezes, sem apoios linguísticos adequados às necessidades dos participantes. A categoria 2, relacionada às interações entre professores ouvintes e aprendizes surdos, revelou despreparo pedagógico, dificuldades comunicacionais e a presença de representações ouvintistas que atravessavam práticas e discursos educacionais. A categoria 3, voltada às representações sociais sobre os usos da língua portuguesa, mostrou que a língua foi percebida como instrumento de acesso ao mundo ouvinte, autonomia e proteção diante de vulnerabilidades sociais e linguísticas. Além disso, foram identificadas barreiras atitudinais, relacionais, tecnológicas e afetivas que impactam os processos de aprendizagem e os percursos multilíngues dos sujeitos surdos.