Programa de Tutoria Mentoring como estratégia para o desenvolvimento profissional de acadêmicos de medicina
Candidato(a): Barbara Correia Neves Sabino Orientador(a): Zélia Zilda Lourenço de Camargo Bittencourt
Apresentação de Defesa
Curso: Saúde, Interdisciplinaridade e Reabilitação
Local: Anfiteatro da CPG da FCM
Data: 19/06/2026 - 08:30
Banca avaliadora
Titulares
Zélia Zilda Lourenço de Camargo Bittencourt
Lara Cândida de Sousa Machado
Ana Carolina Constantini
Sueli Pereira Caixeta
Maria Cecilia Marconi Pinheiro Lima
Suplentes
Ana Paula Fontana
Giselle Juliana de Jesus
Mirian Hideko Nagae Espinosa
Resumo
INTRODUÇÃO: Graduandos da área da saúde enfrentam pressões psicossociais significativas durante seus anos de formação acadêmica, com o curso de medicina se destacando devido à sua longa duração, carga curricular intensa, alta competitividade antes e após o vestibular, além da necessidade constante de adaptação às rotinas de estágios nas instituições de saúde. Considerando que esses fatores contribuem para o sofrimento mental, psicológico e social dos estudantes, muitas instituições de ensino superior têm investido em estratégias específicas para mitigar os riscos associados a essas condições e proporcionar maior qualidade de vida dentro de suas instituições. Uma dessas estratégias é a Tutoria Mentoring (TM), que consiste em grupos de suporte formado por alunos das diversas fases da formação e mediados por professores mentores, os quais se reúnem para discutir temas relevantes ao cotidiano acadêmico, abrangendo, ainda, aspectos sociais e profissionais. OBJETIVO: Compreender os significados atribuídos à Tutoria Mentoring, avaliar sua contribuição para adaptação e enfrentamento de desafios acadêmicos dos alunos, identificar fatores de permanência/desistência e caracterizar perfil sociodemográfico e empático dos mesmos. METODOLOGIA: O estudo foi realizado em duas etapas. Foi adotada uma metodologia mista (quanti-qualitativa), utilizando os seguintes instrumentos: na primeira etapa um questionário psicossocial e demográfico, juntamente com a Escala de Jefferson, um instrumento validado para avaliação de empatia. Na segunda etapa, foram conduzidas entrevistas abertas e semiestruturadas por meio da técnica de grupos focais. Os dados qualitativos foram analisados com o auxílio do software IRaMuTeQ, enquanto os dados quantitativos foram processados no programa estatístico Statistical Package for Social Science (SPSS) versão 22.0.0.0. Utilizaram-se estatísticas descritivas e testes de Kruskal-Wallis, Mann-Whitney, Igualdade de Duas Proporções e Correlação de Spearman. RESULTADOS: A amostra da primeira fase da pesquisa contou com 69 participantes sendo 68,1% de mulheres (n=47), 97,1% de solteiros (n=67) e média de idade de 23 anos. A pontuação global de empatia foi 85,7 ± 16,1, com escores de 15,4 ± 6,5 para cuidado compassivo, 7,7 ± 3,9 para se colocar no lugar do outro e 62,4 ± 7,6 para tomada de perspectiva. A empatia mostrou ter correlações significativas com sexo masculino, moradia em aluguel, morar sozinho, possuir tempo para lazer e percepção positiva acerca da universidade. Este conjunto de dados resultou em artigo que será publicado na Revista Brasileira de Educação Médica, atualmente encontra-se em fase final de revisão. Na segunda etapa do estudo, os dados qualitativos, foram produzidos através de três grupos focais com 15, 10 e 5 alunos, gerando respectivamente 3, 4 e 7 categorias temáticas as quais para fins metodológicos foram agrupadas em 5 eixos temáticos. A análise desses dados apontou que a participação no programa de TM mostrou potencial para melhorar a comunicação, estimular a reflexão crítica, fortalecer vínculos interpessoais, aprimorar o desenvolvimento socioemocional além de criar espaços para o crescimento e a adaptação acadêmica. Foi possível a elaboração de um produto técnico na forma de site contendo informações sobre o programa de TM estudado nesta tese com intuito de fornecer informações práticas para os participantes e interessados no programa. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A Tutoria Mentoring potencializa empatia cognitiva, resiliência e permanência acadêmica, especialmente entre jovens independentes do sexo masculino. O formato extracurricular revela-se superior aos modelos curriculares obrigatórios, justificando a sua institucionalização ampla. Recomenda-se criar ferramentas digitais de gestão para expansão nacional e realizar estudos longitudinais que monitorem o desenvolvimento das habilidades empáticas ao longo do tempo nos participantes.