INSUFICIÊNCIA OVARIANA PREMATURA: CONHECIMENTO E CONSCIÊNCIA SOBRE A QUALIDADE DA ATENÇÃO OFERECIDA POR GINECOLOGISTAS E A PERCEPÇÃO DAS MULHERES
Candidato(a): Sílvia Regina Ferreira Rocha Orientador(a): Cristina Laguna Benetti Pinto
Apresentação de Defesa
Curso: Tocoginecologia
Local: Anfiteatro do CAISM
Data: 26/06/2026 - 09:00
Banca avaliadora
Titulares
Cristina Laguna Benetti Pinto
Rosana Maria dos Reis
Luiz Francisco Cintra Baccaro
Gustavo Arantes Rosa Maciel
Lucia Helena Simoes Da Costa Paiva
Suplentes
Cassia Raquel Teatin Juliato
Júlio Cesar Rosa e Silva
Carlos Tadayuki Oshikata
Resumo
A Insuficiência Ovariana Prematura (IOP) é uma condição ginecológica caracterizada pela perda da função ovariana antes dos 40 anos, levando a ciclos menstruais irregulares ou ausentes, sintomas de hipoestrogenismo e impacto na fertilidade. Suas causas são multifatoriais, incluindo fatores autoimunes, genéticos, iatrogênicos e infecciosos. Em anos recentes, verifica-se um número crescente de publicações científicas na área, incluindo um consenso internacional. Objetivo: Avaliar o conhecimento dos ginecologistas brasileiros sobre a IOP, abordagens diagnóstica e terapêutica, além da percepção e consciência das mulheres diagnosticadas com a condição. Métodos: Estudo descritivo conduzido no Departamento de Tocoginecologia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP e incluiu duas amostras: mulheres com IOP e médicos ginecologistas. As mulheres responderam questionários sobre sintomas, conhecimento da doença e adesão ao tratamento hormonal, enquanto os médicos participaram de uma pesquisa online sobre sua capacitação, critérios diagnósticos e preferências terapêuticas. Resultados: Foram incluídas 101 mulheres com média de idade de 39.4 ± 8.4 anos, que haviam recebido o diagnóstico de IOP há 13.4 ± 8.9 anos, além de resposta de 460 ginecologistas, com média de idade de 44.4 ± 12.5. Os resultados obtidos com os ginecologistas apontaram deficiências no diagnóstico e acompanhamento da IOP. Muitos ginecologistas (47%) não identificam corretamente os níveis de FSH necessários para o diagnóstico, e apenas 23% prescrevem a terapia hormonal adequada, essencial para a prevenção de complicações metabólicas e ósseas, apesar de 90% reconhecerem os riscos de hipoestrogenismo para a saúde óssea e cardiovascular. Metade dos médicos não orientam sobre o impacto na fertilidade de suas pacientes. Além disso, a etiologia genética da IOP é frequentemente negligenciada, com poucos profissionais (<50%) solicitando cariótipo para investigação de disgenesias gonadais e outras alterações associadas. A pesquisa também revelou que médicos mais jovens, com menos de 10 anos de experiência, demonstraram maior conhecimento sobre a IOP em comparação com colegas mais experientes, sugerindo uma lacuna na atualização profissional e contribuindo para falhas na conduta clínica. Entre as mulheres, as com melhor conhecimento acerca da IOP foram as que receberam melhor orientação pelo médico (p=0.001), além de apresentarem maior consciência sobre os riscos à saúde (p=0.049), melhor entendimento e melhor aderência ao tratamento proposto (p=0.032) do que as com menor capacidade para explicar sua condição. Mulheres com maior conhecimento acerca da IOP têm mais consciência dos riscos e melhor atitude para aceitação e aderência aos tratamentos. Conclusão: Nota-se que mulheres conscientes do seu diagnóstico e dos riscos associados à sua condição estão diretamente relacionadas a uma terapêutica mais eficaz e com menor falhas na aceitação do tratamento proposto. Médicos ginecologistas mostram conhecimento insuficiente acerca da IOP e se reconhecem ser limitados no conhecimento de muitos aspectos da condição. Apesar dos avanços no conhecimento da IOP, os resultados mostraram que há falhas significativas no diagnóstico e acompanhamento da condição, tanto do ponto de vista de conhecimento e capacitação do médico, quanto na conscientização das mulheres. Melhorar a capacitação dos profissionais de saúde e fornecer suporte adequado às mulheres diagnosticadas são passos essenciais para otimizar a qualidade da assistência ginecológica no Brasil.