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Qualificações e defesas - Detalhes


EFEITO DA DAPAGLIFLOZINA NA FUNÇÃO DIASTÓLICA DE DIABÉTICOS DE ALTO RISCO CARDIOVASCULAR: ENSAIO CLÍNICO RANDOMIZADO ADDENDA-BHS2


Candidato(a): Sheila Tatsumi Kimura Medorima
Orientador(a): Andrei Carvalho Sposito

Apresentação de Defesa

Curso: Fisiopatologia Médica
Local: Sala de Aula FCM 3 (Legolândia)
Data: 25/06/2026 - 08:30
Banca avaliadora
Titulares
Andrei Carvalho Sposito
Juan Carlos Yugar Toledo
Elizabeth Joao Pavin
Fabiana Goulart Marcondes Braga
Licio Augusto Velloso
Suplentes
Eduardo Gomes Lima
Ana Cláudia Cavalcante Nogueira
Mauricio Wesley Perroud Junior

Resumo



Introdução: A dapagliflozina demonstrou, em cenários pré-clínicos e clínicos, melhorar a função arterial e o desempenho diastólico do ventrículo esquerdo (VE); contudo, a inter-relação entre esses efeitos ainda não foi estabelecida.

Objetivo: Determinar se a melhora na função endotelial acompanha e se relaciona com alterações precoces na função diastólica do VE após o uso de dapagliflozina em pacientes com diabetes tipo 2 (DM2).

Métodos: Trata-se de uma análise secundária pré-especificada de um ensaio prospectivo, aberto e controlado por fármaco ativo, envolvendo pacientes com DM2 em terapia basal com metformina, randomizados para receber 10 mg diários de dapagliflozina ou 5 mg de glibenclamida por 12 semanas. Todos os pacientes foram submetidos a avaliações ecocardiográficas e de função endotelial no início do estudo e após 12 semanas. O desfecho primário para os parâmetros diastólicos ecocardiográficos foi a variação na razão E/e'. Os desfechos para a função endotelial foram a variação na dilatação mediada pelo fluxo (FMD, flow-mediated dilation) da artéria braquial e a biodisponibilidade de óxido nítrico (NO). A carga arterial compreende a impedância arterial, mensurada pelo índice de resistividade da artéria braquial, além dos componentes de pós-carga: a resistência vascular sistêmica e o índice de acoplamento ventrículo-arterial, como marcador de rigidez arterial.

Resultados: Entre os 96 pacientes incluídos (média de idade de 59 anos; 60% homens; 48% com obesidade; HbA1c basal de 7,8%), a melhora glicêmica foi semelhante entre os grupos dapagliflozina e glibenclamida (variação mediana [IIQ] da HbA1c: −0,78 [0,11] vs. −0,80 [0,10]; p entre grupos = 0,887). Pelo escore H2FPEF, 75% da população apresentava risco intermediário para ICFEp (insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada). A dapagliflozina reduziu a razão E/e' (variação média de −0,38 [0,24]; p intragrupo = 0,184), enquanto a glibenclamida aumentou a razão E/e' (+0,79 [0,24]; p = 0,001), resultando em uma diferença significativa entre os grupos (−1,17 [0,34]; p entre grupos = 0,001). Em toda a coorte, a variação na E/e' correlacionou-se diretamente com as mudanças no índice de resistividade braquial (r = 0,28; p = 0,005) e inversamente com as mudanças na biodisponibilidade de NO (r = −0,26; p = 0,010) e na FMD (r = −0,23; p = 0,023). Não foi encontrada correlação com a resistência vascular sistêmica ou com o acoplamento ventrículo-arterial. A dapagliflozina reduziu em 67% a probabilidade de o paciente situar-se em um quartil mais elevado de E/e' (OR = 0,325; IC 95%: 0,147 – 0,715; p = 0,005).

Conclusões: Em pacientes com DM2 de risco intermediário para ICFEp, a dapagliflozina melhorou a função diastólica e o desempenho vascular em comparação com a glibenclamida, sugerindo uma via vascular-miocárdica compartilhada para a cardioproteção mediada pelos iSGLT2. Embora geradores de hipóteses, estes achados indicam que os iSGLT2 pode mitigar a progressão da disfunção diastólica nessa população específica, justificando a realização de estudos longitudinais adicionais.

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Universidade Estadual de Campinas

Correspondência:
Rua Vital Brasil, 80, Cidade Universitária, Campinas-SP, CEP: 13.083-888 – Campinas, SP, Brasil
Acesso:
R. Albert Sabin, s/ nº. Cidade Universitária "Zeferino Vaz" CEP: 13083-894. Campinas, SP, Brasil.
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