Marco Antonio de Carvalho Filho
Silvia Mamede Studart Soares
Ana Claudia Tonelli de Oliveira
Bruno Augusto Goulart Campos
Eliana Martorano Amaral
Suplentes
Erich Vinicius De Paula
Valdes Roberto Bolella
Lucas Leite Cunha
Resumo
Introdução:
O ensino de Emergências Clínicas ocorre predominantemente em ambientes hospitalares reais, caracterizados por elevada complexidade cognitiva, pressão emocional e necessidade de tomada rápida de decisões. Nesse contexto, estudantes de Medicina precisam desenvolver simultaneamente conhecimentos técnicos, raciocínio clínico, habilidades práticas, comunicação, empatia e profissionalismo. Essa combinação pode resultar em sobrecarga cognitiva e impacto negativo sobre a motivação para a aprendizagem. Metodologias ativas de ensino, fundamentadas em modelos conceituais como a Teoria da Carga Cognitiva e a Teoria da Autodeterminação, associadas ao uso de tecnologias educacionais, mídias sociais e estratégias de gamificação, têm potencial para mitigar esses desafios e favorecer a criação de Comunidades de Prática no ensino médico.
Objetivo:
Avaliar o impacto do uso de um curso online, mídias sociais e estratégias de gamificação na criação de uma Comunidade de Prática Online para o ensino de Emergências Clínicas, bem como sua associação com engajamento, desempenho acadêmico, carga cognitiva e motivação dos estudantes.
Métodos:
Trata-se de um estudo observacional, longitudinal, quase experimental, realizado com 462 alunos do sexto ano do curso de Graduação em Medicina da Universidade Estadual de Campinas, entre 2012 e 2016, durante o estágio obrigatório de Emergências Clínicas. Os alunos foram distribuídos em três grupos, definidos temporalmente: Grupo Controle, com acesso ao curso online no Moodle; Grupo FACE, com acesso ao Moodle e interação em mídias sociais com um personagem educacional; e Grupo GAME, que, além dessas estratégias, participou de atividades gamificadas integradas ao ambiente virtual. O curso online foi baseado em casos clínicos reais e estruturado a partir das Teorias da Carga Cognitiva e da Autodeterminação. Foram analisados dados de acesso e engajamento na plataforma, desempenho acadêmico no estágio, percepção de carga cognitiva e motivação para a aprendizagem.
Resultados:
Os alunos apresentaram alto nível de engajamento com o ambiente virtual, com acesso prolongado ao curso mesmo além do período formal do estágio. Observou-se associação positiva entre maior participação nas atividades online e melhor desempenho acadêmico. Estratégias baseadas em casos clínicos e interação social favoreceram o desenvolvimento do raciocínio clínico e a percepção de preparo para atendimentos de emergência. A carga cognitiva percebida em atividades virtuais foi inferior àquela associada às visitas médicas presenciais, e os estudantes relataram altos níveis de motivação, especialmente nos grupos expostos às mídias sociais e à gamificação.
Conclusão:
A criação de uma Comunidade de Prática Online, apoiada por curso virtual baseado em casos reais, uso de mídias sociais e estratégias de gamificação, mostrou-se uma ferramenta educacional eficaz no ensino de Emergências Clínicas. Essa abordagem contribui para o engajamento dos estudantes, otimiza o manejo da carga cognitiva e aumenta a motivação para a aprendizagem, funcionando como complemento relevante ao ensino prático em ambientes reais de emergência.